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[Terça-feira, Novembro 18, 2008]
Capitulo 15 - Sacrifício
Ele corria pelo corredor, desesperado ainda com as palavras de Hélos na cabeça 'Onde está sua irmã, Khrono?' se repetia conforme seus passos atritavam o chão e ecoavam da mesma forma.
Não sabia onde procurá-la, não sabia onde estava.
-Khrono... -uma voz masculina chamou-o.
-Sim, senhor? -a voz ofegante saiu esganiçada.
-Lembra-se do trato que tinhamos feito? -Um feixe de suor percorreu o rosto de Khrono. Sua mão suava frio e sentiu seu estômago se afundar dentro do corpo.
Meses atrás, seu pai disse que para que Khrono pudesse tomar posse do reino teria que realizar um ritual, e neste ritual teria que sacrificar alguém.
Lembrando, ele engoliu em seco e respondeu:
-Sim.
-E então? -perguntou o rei curioso.
-Estou procurando-a. -ele respirou fundo.
-Procure-a bem...
A voz parecia uma ameaça, deixando-no mais desesperado. Voltou a correr, seguiu para o quarto em que ela dormia, não a encontrou.Olhou pela janela e voltou a correr, tinha uma idéia em mente de onde ela poderia estar. Já estava longe do reino, num lugar deserto. Lá haviam várias lagoas, elas eram tantas e somente separadas por pedras que pareciam um mar ou oceano. Nem mesmo Khrono acreditava que aquelas terras pertencessem aos domínios do Tempo.
Seu corpo paralisou, finalmente havia encontrado.
Estava sentada, em uma das pedras olhando para a torre do relógio.Balançava os pés na água, ele relaxou e correu até a pedra em que ela estava e abraçou-a.
-Nunca mais... -ele hesitou- há quanto tempo está aqui?
-Eu disse que eu viria. -ela não entendia o que acontecia.- Tenho certeza que disse.
-Deve estar com frio. -ele continuou abraçando-a.- Desculpe, eu devo ter esquecido.
Uma sombra apareceu no rosto dela, mas ele estava tão distraído em seus pensamentos que não percebeu o que acontecia. Ela levantou de repente, e ele fez o mesmo.
-Você sabe que dia é hoje?
-Sei. -ele respondeu um pouco mais sério e rouco do que ele queria.
-Você está bem?
-Sim.
Ela seguiu em frente esquecendo-se da presença dele, que continuou imóvel na mesma placa de pedra que se sentou. Somente a vendo ir embora, talvez fosse melhor que não a visse, mas não sabia se realmente seria capaz do que pensava, ou se estava disposto a perder outra coisa.
-Por que vocês têm que fazer isso? -ele murmurou para si mesmo.- Por que eu tenho que escolher uma coisa dessas?
Para sua surpresa uma resposta inesperada veio:
-Não precisa escolher então.
E ela voltou a seguir seu caminho, ignorando o rapaz ajoelhado nas pedras.
Começava a escurescer, o vento soprava mais forte e mais gelado. Khrono andava agora perto do lago e pressionado pelos pensamentos obrigou-se a sentar para olhar para a Lua que estava nascendo e esperar que Áster aparecesse. Não demorou muito para que ela realizasse seu pedido feito interiormente que ela viesse vê-lo e ajudá-lo.
-O dia está quase terminando...
-E qual foi a sua escolha?
-Achei que pudesse me ajudar...
-Enganou-se. Eu não posso escolher por você o seu sacrifício.
-Por que tinha de ser ela?
-Khrono...?O que está fazendo aqui? -a voz de Hélos exclamou. Khrono a encontrou à sua direita, alguns metros de distância, o olhar dela vagava dele para a sereia.- E a sua irmã?Khrono, onde está a Miyuki?
"Miyuki...Miyuki...A única coisa que ela sabia era me perguntar onde estava a Miyuki, como se fosse uma obrigação minha saber?!"
-Chega! -ele levantou e foi na direção dela- Eu não quero mais saber de você me perguntando dela! Não quero mais ver você com ela! Não quero mais ouvir você falando o nome dela! Se você não sabe onde ela está procure você!
Hélos olhava para ele com um olhar de repugnância.
-Pensei que você se importava com ela. -ela virou as costas, segurou a saia do vestido e saiu correndo, certamente para onde Miyuki estava.
"Ela sabia... Ela sabia e não me disse nada..."
No céu havia uma grande Lua cheia que iluminava todo o campo noturno e refletia nas leves ondas causadas pelo vento no lago. Khrono havia chego ao local combinado com seu pai para entregar-lhe o sacrifício, mas não teve coragem para sacrificar ninguém. Esperava que seu pai estivesse lá, e que lhe aplicasse alguma punição, mas só encontrou ela.
-Nee-san...?
Ela se virou para a voz de Khrono. Tão melancólica, ele pensou ter visto os olhos dela cheios de lágrimas, mas não escorreu nenhuma daqueles olhos fixos em Khrono.
-Não precisa mais sofrer Khrono...
A voz de Hélos chamava por Miyuki, estava correndo procurando por ela, mas a voz silenciou.
-Está...
"Um sacrifício Khrono..."
-Tudo...
"...é de alguém para outra pessoa. Não é você quem escolhe esse tipo de coisa."
-Bem...
A água do lago se levantou e envolveu Miyuki. Khrono e Hélos correram até ela, mas quando alcançaram ela estava imóvel.
Imóvel...
-Miyuki! Nee-san! Nee-san! - Khrono gritava agarrando-se a estatua.- Nee-san!
-Miyuki...
-A culpa é sua Hélos! A culpa é sua! -as lágrimas não tinham escolha a não ser cair e inundar o rosto do novo imperador.
"Não vai precisar escolher. Um sacrifício não é você quem deve fazer, mas alguém deve se sacrificar por você. Se ele ficar bem, eu também estarei bem, entende Hélos?"
-Eu entendo... -Hélos não foi capaz de se aproximar, nem de deixar o lugar.
Nota de rodapé:A imagem que eu tive do Khrono nesse capitulo era como se ele fosse um Enishi.Extremamente irritado com o que ele acha que tem que fazer, quando na verdade a vida dele não é ele mesmo quem decide e isso me lembra um pouco a própria realidade em que eu coloquei ele.Acredito que o sentimento de você se sacrificar por alguém é mais ou menos assim. Por ver não somente a importância dessa pessoa na nossa vida, mas também por saber que algumas pessoas simplesmente são incapazes de tomar uma atitude que sabem que pode nos machucar e eu tenho uma certa sorte de atrair essas pessoas que temem machucar aos outros...
Espero que chegue perto do que eu planejava passar e que todos possam entender e achar que esse capitulo faz sentido, e espero que alguém possa assimilar alguns fatos que eu usei como apoio para guiar os personagens.
Uma música que eu acho que combina: Anata ga ita mori de Fate/Stay Night...
por CLARISSA FAZANO * 11:09 PM
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[Segunda-feira, Setembro 22, 2008]
Capitulo 14 - Profundidade
-E porque ele veio até aqui? -Perguntei e instantaneamente inclinei o corpo para frente tentando encará-la mais de perto.
-Te mostro.
Ela riu e me puxou com força pelos braços e então caí dentro da água, ela segurava meu pulso esquerdo e enquanto eu me debatia para continuar com a cabeça fora d'água ela disse que não iria conseguir voltar para a superfície daquele jeito e antes que ela continuasse me receitando o que fazer, senti cãimbra no pé e perdi o controle sobre o que estava acontecendo e afundei para dentro d'água, que se tornava cada vez mais gelada conforme eu descia.
Agora dentro da água eu podia ver com mais nitidez, como se houvesse ali uma fonte de luz.
Os olhos dela eram grandes e lilases, a pele era branca reluzente tanto que de primeira vista imaginei que viesse dali a luz que me fazia enxergar, os cabelos ondulavam até os quadris, onde se iniciava uma sequencia de escamas prateadas.Era uma sereia...Os dedos longos e finos que agora apertavam os meus ombros terminavam em grandes unhas afiadas, ela tomava cuidado em me segurar sem encostá-las em mim e de ter soltado meus pulsos.
Levemente eu não enxergava mais a não ser branco, não ouvia mais a não ser uma voz distante, nem sentia mais nada do que havia em volta a não ser o frio da água.A dor aguda que eu sentia no pulso encontrou a cãimbra do meu pé e me tornei imóvel, caindo para o fundo como uma pedra.A sereia falava, mas parecia não estar próxima o suficiente para estar com as mãos em meus braços, suas mãos subiram até meu rosto tampando meus ouvidos.
-Eu irei te contar a história de Khrono, já que veio com tanta boa vontade para o meu território... -Ela voltou a rir.- Começou há muito tempo, quando ainda Khrono era apenas uma projeção de um futuro...
O branco foi substituido por uma sequência estranha de pessoas desconhecidas.Uma delas era um homem alto e musculoso, carregava uma criança e a girava no ar. Uma criança de cabelos curtos, lisos e prateados.Então surgiu um guarda e levou o homem consigo, deixando a criança sozinha que corria para o lado oposto indiferente.
-Há muito tempo, o rei do Tempo, teve uma filha; ela era o fruto de seu amor com a deusa d'água.Uma menina a qual deram o nome de Miyuki, mas ela não poderia herdar o trono do Tempo, então o rei se casou com uma princesa de seu reino e teve o primogênito que herdaria seu reino e que futuramente viria a se casar com a jovem princesa da floresta que havia nascido naquela primavera.Estava tudo combinado com o rei da floresta, pois ambos tinham intenção de fazer uma aliança entre os dois reinos.
Tudo se passava em minha mente como um filme antigo, enquanto a sereia contava com sua voz distante.Vi Khrono quase um pré-adolescente andando com as mãos dadas com Miyuki por um campo gramado com árvores grandes atrás.
-Aonde está me levando Khrono? -Perguntou ela curiosa.
-Lembra que papai disse que eu deveria me casa com Hélos?
-Sim...?
-Hélos não gosta de mim.
-Como sabe disso?
-Ela sempre está com aquela cara séria... -Miyuki interrompeu Khrono com um categórico "Eu sou mais séria do que ela e nem por isso não amo você."- ...Sim, mas ela não se importa...não como você.
-Se ela fosse sua irmã, se importaria tam...
-É por isso! -exclamou ele, resmungando -Ela só se preocupa com o irmãozinho dela!
-Então você quer que ela esqueça o...
-Eu queria que você não fosse minha irmã...! -Khrono se jogou no colo da garota, abraçando-a.
-Hélos tinha que governar com apenas treze anos, enquanto seu irmão ainda era apenas uma criança.Khrono se sentia rejeitado e acreditava que Hélos não fosse a pessoa certa para ser sua rainha, e obrigava-se odiá-la por não ceder ao seu amor.Foi um dia assim, em que ele estava triste por não poder alcançá-la que ele veio até este lago e viu, em uma noite de lua cheia o espírito que o aconselharia. -Ela soltou um leve riso.- E desde então sempre que Khrono se sentia infeliz, ele vinha até meu lago para contar-me de suas mágoas, seus desejos e seus medos e me lembro de um dia, quando Khrono disse-me sobre um sacrifício que seu pai havia imposto a ele...
-Papai disse que eu devo sacrificar a pessoa que mais amo. Como uma oferenda ao meu reinado.
-Já vai tomar posse? -A sereia perguntava a ele animada.Ele por sua vez, parecia desolado.
-É...
-Vocês crianças crescem rápido demais, sem nem saber o que realmente querem...Lembro de você vir até aqui ainda mais novo, dizendo que mal esperava por esse dia.
Ele soltou um gemido de afirmação.
-É ela não é?Ela ainda é a pessoa que mais ama... -Perguntou a sereia mais melancólica.
-Eu odeio Hélos.Mas...Ah, esquece. -Ele se levantou e saiu.
A imagem dele passou para a de uma jovem, com longos cabelos castanhos e sedosos, o vento dançava entre ele.
Khrono enrubeceu.
As árvores deixavam cair suas flores, e pequenas esferas brilhantes caiam ao chão.Ele segurou a mão dela, e a reação foi um olhar espantado em sua direção.
-Por que...está chorando? -Ele tentou conter-se.
Eu comecei a sentir meu corpo caindo, caindo cada vez mais fundo no lago, meu corpo gelava ainda mais com a água em movimento.
-Onde está sua irmã Khrono?- Ela perguntou tentando conter as lágrimas.
E eu então parei de cair.
E parei de respirar...
Nota de rodapé:Incrível como eu faço bagunça no texto, uma hora escrevo em primeira, depois em terceira...Eu prometo que eu tentarei agora dar uma sequência melhor.Esse capitulo ficou muito pequeno!Eu não queria que ele ficasse pequeno, mas eu não sabia mais o que escrever e queria postar...Talvez eu aumente ele e edite depois.Ou talvez continue só no próximo mesmo.
Espero que gostem dele mesmo assim, ele ficou pequeno talvez pela grande quantidade de informação que ele contém...Tomara que tenha bons comentários sobre isso!*expectativa*
Talvez ele não tenha ficado claro, qualquer coisa peçam esclarecimentos!
Baibai!
por CLARISSA FAZANO * 5:47 PM
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[Terça-feira, Agosto 19, 2008]
Capitulo 13 - As lágrimas do Tempo.
Estavamos a caminho da Floresta que era localizada pouco mais abaixo que o reino do Tempo.Ao passar pelo continente meus olhos buscaram desesperadamente que Khrono me visse, mas a distancia era muito maior.Desisti e continuei descendo.B.W. ainda segurava a minha mão, quando disse:
-Vai.Eu vou voltar para o reino do Céu para trazê-lo pra você. -E soltou minha mão tomando impulso para um salto, mas em troca do impulso dele eu fui jogada com mais força para o continente da Floresta e o perdi de vista antes de atravessar a copa das árvores.
Não sabia se agradecia B.W. por me prometer trazer Keiji de volta, ou se eu o amaldiçoava por ter me jogado.Estava caida no chão, em cima de um ganho que quebrei com a queda.Meus pulsos ardendo das algemas e do impacto, que eu instintivamente amorteci com as mãos.Por enquanto optei pela opção de amaldiçoá-lo.
-Clown maldito...-E tentei levantar sem ajuda das mãos, em vão.
Foi então que eu, olhando para cima ainda sobre o galho de árvore quebrado, parei para prestar atenção aonde eu estava.A Floresta era bem diferente do que eu havia imaginado.Esperava um lugar mais bonito e alegre, mas a visão que eu tinha era breu.Total escuridão abaixo dos galhos que se embrenhavam e tampavam o céu e o Sol.A única fonte de luz que eu pude perceber, foi o buraco entre as folhas que eu mesma tinha acabado de fazer.
Tentei levantar mais uma vez, desta vez com sucesso.Resolvi que iria ao menos reconhecer um pouco do lugar, pois eu sabia que onde eu estivesse, B.W. seria capaz de me encontrar para me trazer Keiji.Tirei as folhas que se misturaram com a minha roupa e meu cabelo e comecei a andar.Sem perder de vista o pequeno feixe de luz que eu abri entre a copa da árvore densa.
E então ficou tudo escuro de repente...
-Estou com medo... -Gemi, massageando meus pulsos.
-Medo de quê? -Isso era mais motivo ainda para se ter medo, pensei.Mas era uma voz tão doce...tão delicada.Parecia rir para mim.Ou de mim...foi o que eu concluí. -Vamos, não vou te morder.Bom, talvez eu morda.Mas não irei te machucar tanto...
-O...O que é você? -Minha voz falhava.
Então eu ouvi o barulho de água.Eu estava perto de um rio, ou lago pelo que parecia e então ouvi novamente a voz, desta vez ela cantava "Can you hear the sirens resound...?From the coastline of Ireland tonight, it's the song of a promising heart.Of the souls that the Ocean unite..."
Segui com passos cautelosos para não ter uma surpresa e morrer afogada antes de resgatar Hélos e então eu ajoelhei na beira da água.
-Que fazes aqui?Veio de tão longe para que? -Agora eu podia ver o vulto de uma garota.Apertava os olhos para ver se isso faria alguma diferença e melhoraria a imagem, mas não adiantou.- Não vais responder?
-Eu vim porque disseram que era o lugar onde eu deveria vir...
-Fazes tudo o que os outros mandam? -A voz riu e novamente ouvi o barulho de água, desta vez senti algumas gotas cairem em mim.
-Não... -Hesitei.Não encontrava palavras pra me defender daquele interrogatório que estava me deixando zonza.- Eu vim porque a princ...
-Uhm...a princesa Hélos sumiu. -Ela falou desinteressada.- Eu agradeço quem nela deu um fim.Ao mesmo tempo que sinto compaixão pela perda.
-Porque odeiam tanto ela? -Perguntei curiosa, começava a me interessar por Hélos, desde que Khrono comentou que ele preferia que ela morresse, quis saber o que tanto ela havia feito pra merecer tanto ódio.Pelo tempo que passei com Khrono e pelo que ele fez por mim não tinha como ele ser uma pessoa má, estava curiosa para saber o que Hélos havia feito realmente...
-É por culpa dela que nunca mais vi o tempo passar... -E ela voltou a cantar "And she stands by the window alone, staring into the rain.She's trying to guide his way home, from the waters that keep them apart...".
-O tempo passa para todos... -Refleti.
"So she lights up a candle for hope she'll be found.Captive and blind like the darkness around..." Ela me ignorou e eu decidi que a conversa chegou ao fim.Ela se deu ao trabalho de forçar um riso, para dizer que se envergonhava do que disse antes sobre Hélos.Apreciei a atitude, mesmo que o riso soasse explicitamente forçado demais agora.
-Adeus, talvez um dia nos encontremos novamente. -E sem esperar resposta desceu novamente ao fundo do lago, jogando em mim um volume considerável d'água.
Comecei a me sentir mais sombria.O escuro e o frio da água pareciam se infiltrar em mim e se integrarem ao meu sangue que percorria meu corpo.Era como se eu estivesse mergulhando na mais profunda melancolia da solidão e...!
...E eu estava sozinha.
Por mais que Keiji não fosse culpado do seqüêstro da Hélos, ninguém iria livrá-lo.B.W. não iria conseguir fazer Hoshiki mudar de idéia.Nem mesmo Khrono conseguiu que ela dispensasse Keiji para que ele fosse comigo!Se ele tivesse realmente sequestrado Hélos, eu poderia ter levado ela de volta há muitas horas!E sozinha eu nem sabia por onde começar, ou para onde ir...Abri minha bolsa 'emprestada' para pegar meu diário para começar a escrever sobre a minha sensação de impotencia, quando nas minhas mãos rolou a caixinha de música que eu roubei no quarto de Khrono.
Era uma caixinha de vidro, cristal...não sei dizer ao certo, eu abri mas não tocou nada.Eu procurei a chave para dar corda mas não encontrei, não tinha parado pra pensar nesse fato; esqueci de pegar a chave para ouvir a música, e não iria saber nunca mais que música ela tocaria porque eu não voltaria ao castelo de Khrono nem se eu fosse livre da acusação de ter destruído o Relógio.Na verdade eu não queria voltar simplesmente por Khrono e meu último segundo ao lado dele...Mesmo que ele tenha dito "Boa sorte minha Kura" aquela frase parecia tão fria e desgostosa que a imagem que eu tinha de seu rosto virado de costas pra mim era no mínimo uma expressão vazia.
Talvez fosse isso o que a voz falou sobre "O Tempo não voltar", ao menos foi o que deduzi lembrando do que Hoshiki disse sobre Khrono estar sempre com menininhas...Me debrucei ao lago para ver se assim a criatura aquática apareceria para me fazer companhia e para me explicar o que ela disse ou o que ela tinha a dizer sobre Khrono.
Não podia ser verdade...
-Hei, você!O que sabe sobre Khrono? -Tentei chamá-la.Estremeci com um calafrio.- O que quis dizer com 'o tempo não passa'? -Minha voz começou a se alterar, não falava, saiam naturais, mas eram gritos.E a voz novamente voltou a me dizer, com o mesmo tom forçado em um riso contido:
-Conhece Khrono?
-Sim...
-Quanto?
-Não sei...Não muito... -E era verdade.Eu não conhecia Khrono, apenas compreendia o que ele fazia ou dizia...Como se ele fosse apenas um porto seguro.Como se fosse Yori...
Muito mais...eu não queria que fosse verdade.
-Então não sabe sobre ele e Hélos... -Teve uma nuance interrogativa quando ela disse, mas parecia mais que concluia com o fato de eu não conhecer Khrono que eu não conhecia Hélos também.Mas eu sei que mesmo que eu realmente não soubesse o envolvimento dos dois, sabia que havia algo que ele odiava nela.Mas ele não chegou a me dizer nada além das divergências que teve por causa do que ela priorizava:seu irmão, Moriki.Talvez Khrono só estivesse com ciúme do jovem herdeiro...
Eu senti mais um calafrio e algo molhado escorrer pelo meu rosto.
-Hélos era noiva de Khrono.Mas ele não era capaz de vê-la com aquela menina... -Ela tocou o meu rosto.- Khrono sempre vinha até mim para soltar suas mágoas...
-Quem é você? -Talvez eu tenha feito a mesma coisa que ele, quando imaginei que rompera nossa promessa.
-Eu sou a criatura nascida das lágrimas do Tempo.Em um bosque amaldiçoado, em um ambiente escuro.Já que o tempo não admite ser pego de surpresa...Mas o Tempo não volta mais, ele não passa mais. -Ela fez uma pausa.Sua voz que já estava ficando falha com a conclusão tristonha, se vigorou um pouco mais alegre.- Somente ontem, enquanto a princesa Hélos havia sumido...
Nota de rodapé: Eu tinha planejado que existiria uma sereia, e que ela seria uma pessoa em específico.Mas eu resolvi que não quero que ela seja uma sereia.Mas eu ainda sinto seu sorriso forçado quando fala comigo, ainda sinto sua filosofia e sua cautela.Mesmo assim, eu não pude deixar de colocar de alguma forma essa personagem, que surgiu sem razão nenhuma na verdade, já que eu fiz questão dela e ainda assim não É uma pessoa, já que todos os personagens tem muito das pessoas que eu tomei como idéia, talvez nem saibam quem é ela (exceto a Lola, porque eu já comentei sobre isso uma vez com ela.)...é apenas algumas coisas baseadas numa pessoa.Eu gostei do pequeno mistério que surgiu com isso, mesmo que ele já esteja completamente resolvido na minha cabeça, talvez assim seja até mais simples escrever.
Não precisa dizer que o próximo capítulo talvez tenha coisas demais pra um só capítulo!
A música que serviu de inspiração é Sailorman's Hymn - Kamelot, minha música favorita deles até agora, e que tem um tom de melancolia nostalgica...
por CLARISSA FAZANO * 5:44 PM
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[Terça-feira, Julho 22, 2008]
Hoje eu vou postar algo diferente.Algo que antes eu costumava postar aqui...Sobre os eventos...~
Quinta feira, 17 julho 2008
-Acorda as 6 da manhã e depois de uma hora pra fazer os lacinhos de Kura, vou pra caravana.
-Tati já estava esperando...
-Na viagem a gente comentou o que iria fazer lá e ela comentou que sábado teria onibus indo e voltando do evento pro metrô.[Pois nada ficava perto dali...]
-Chegamos no evento e a adrenalina voltou a atacar:
Pensei "Ah, quero fazer surpresa.Não quero ser vista agora, só depois..." olho pro lado e vejo o Tuco...Abaixei a cabeça pra disfarçar mas foi inevitável.Olhei de novo e ele me viu..."Fudeu..." dei tchauzinho.
-Continuei andando, até que eu senti meu corpo indo quase em direção ao chão...Tuco veio correndo pelo lado;ele soltou eu quase fui jogada pra trás pela Lola.
-Eles ficaram comigo e com a Ka na fila, ficamos conversando um pouco, eu notei que tinha perdido o meu ratinho que a Ka me deu...e entramos no evento:
-Eu morrendo de calor porque estava de manga comprida.
-Comprei presente pra Lidia porque achei umas coisas que eu achei que era a cara dela...XD continuamos procurando presentes [Tuco queria comprar presente pra Miá] andando e procurando a Suka pra Lola, até que encontramos ela.
-Lola ficou com a Suka.
-Encontrei a Himiko e eu, Tuco e Ka fomos para a praça de alimentação porque o Tuco não tinha comido nada.
-Tuco comprou um crepe de queijo, eu e Ka de chocolate~
-Depois disso o Tuco apareceu com um potinho de fondue de chocolate com morango que tinha lá na praça...[Cara como eu comi aquele fondue...Mais do que ele, tá ligado?!]
-Fomos andar e encontramos a Lola, andamos um pouco com ela, encontramos a orelhinha de gato perfeita pra Miá, e a Lola disse onde ficava a stand pra comprar mangás porque a Ka queria comprar, e fomos com ela para o lugar dos mangás.
-A Ka saiu com 23498 de mangás...e a Lola voltou para a Suka.Enquanto nós voltamos para a praça de alimentação.
-Tuco deixou escapar o Bon Gouter de queijo e as balas da mochila dele...~
-Conheci o Seifador do Inferno!XD
-Ficamos conversando sobre o Dako e como ele é...
-Tuco saiu para ir no banheiro, e eu acabei com o bon gouter dele XD
'Cadê meu bon gouter...CLA?¬¬'
'Sumiu...!'
-Brincamos de forca, de jogo da velha na plaquinha, eu desenhei.
-A Lola apareceu com um pacote de maria mole que o Thio deu pra ela.Só que o treco tinha um formato MUITO sugestivo, ta ligado?XD Eu comi a maria mole dela também...~
-Fomos andar de novo vimos a exposição de desenhos muito lindos que tinha lá, vimos bonequinhos carésimos, camisetas, vídeos de Laruku, sentamos e o Tuco foi comprar sorvete.Um Melona de morango...
-Melona era estranho.Gostoso mas na mão do Tuco se tornava algo obceno!XD~ Principalmente depois que a Lola deixou o sorvete com um formato mais sujestivo ainda~
-Muitas piadas sobre isso, hahuauhauha!
-Sentamos e a Lola foi procurar a Suka again~
-Tuco e o fone do mal dele~
-Vimos mais coisas pra comprar e saimos pra sentar.Eu estava com sono até o churrus me acordar e escolhemos um outro banco que tinha uma parede atrás pra sentar.E na frente dele tinha o palco da Animix e uma Lua...
-Na frente tinha um casal se pegando, mas tipo...se pegando mesmo!Deitados no chão e tudo mais, só faltava tirar a roupa!Até que entrou mais um ser no meio e os caras começaram a gemer, ta ligado?
-Lolla voltou, comeu pizza, pulou corda...Tuco e Lola fizeram dardos pra gente e ficamos jogando dardos * - *~
-Eu e Ka fomos embora, só que não achavamos nunca a caravana até que o Kazuki veio buscar a gente.
Sexta feira, 18 julho 2008
-Esperei o Iessi aparecer porque o despertador dele não tocou.
-Chegamos ao evento e esperamos porque os dois ainda não tinham chego, então pensamos em como fazer pra entrarmos juntos.
-Tuco chegou, e os dois se pseudo encararam XD~ Como o Tuco ainda não tinha ingresso eu e Iessi passamos pela revista e fomos atrás do Tuco, e a Lola chegou.
-Lola de Sweet Lolita!
-Cla de cap maior do que a cabeça!XD
-Entramos e andamos um pouco pelo evento.A Lola foi procurar a Suka e o Tuco disse que queria procurar a garota que ficava atrás dele desde desde, a garota mandou mensagem dizendo pra ele procurar por ela, que ela estava com orelhas de gatinho, crucifixo de brilhante e estrelinhas!
-Nossa como eu ri dessa descrição desgraçada.Nossa como o Iessi riu por ela estar esperando que o Tuco fosse atrás dela como um principe.Nossa como o Tuco riu disso tudo!XD~
-Nós finalmente achamos a menina e eu e Iessi fomos para o lugar dos video games.
-Iessi jogando super smash bros, eu olhando, querendo sentar, [Ciume de irmão é fogo.Juro.XD] e ai Tuco aparece, como sempre que nem mágica, sem a menina dizendo pra gente comer alguma coisa.
-Vamos pra praça de alimentação e comemos.A Lola chega e conversamos...[Tenho alguns videos disso, mas não tenho de uma das coisas que foram engraçadas que foi o fato 'Davy Jones', mesmo que eu não saiba porque isso se tornou pérola de AF08...XD]
-Lola me dá o desenho que ela fez!*___*~
-Iessi mostrou aquela coisa estranha que ele faz com o braço e as veias dele pra Lola e pro Tuco.As reações foram tipo...Muito engraçadas!
-Iessi foi para o campeonato free do super smash.
-Tuco me entrega o presente que ele tinha pra me dar de floripá X3
-Fomos pra área cosplay e a Lola disse que iria procurar a Suka antes que ela ficasse triste porque ela passou a tarde com a gente.
-Eu e Tuco ficamos vendo alguns cosplays, depois fomos procurar ver se o Mauricio de Souza ainda estava no lugar que disseram que ele iria ficar pra 'lançar' um quadrinho de Mônica 'jovem'.
-Lola ligou dizendo que iria voltar a ficar com a gente, fomos atrás dela.
-Sentamos no banco de novo e ficamos conversando, tirando fotos, [Tuco nazista e policiais amigaveis!XD], fui agarrada e mordida, até que o Iessi voltou com um controle de game cube, dizendo que um cara disse que se ele ganhasse, ele podia levar o controle dele...XD~
-Ficamos esperando anoitecer, conversando.
-Eu tava elétrica e fiquei pulando, rodei com a Lola, dancei, e depois fomos pro palco do show e fiquei com fome, fomos pra praça de alimentação pra beber alguma coisa.
-Comparamos alturas, ouvimos músicas, encontramos umas pessoas de pá-kua...até a hora de ir embora.
-Eu e Iessi demos uma volta pelo quarteirão pra achar a caravana...
Sabado, 19 julho 2008
-Acordei 5 da manhã com intensão de fazer alguma coisa pro Tuco, e a única coisa que eu achei que seria muito mágico era se eu levasse um bolo.Afinal, aniversário sem bolo non é aniversário...
-Me arrumei e fui fazer o bolo e como não tinha morango, resolvi fazer um de chocolate mesmo.Fiz...Só que era 7 horas e não tinha assado ainda, então eu liguei pro Kazuki dizendo que iria atrasar e ele disse que tava tudo bem.Cortei o bolo correndo e fui para a caravana.
-Me trocaram de lugar e finalmente fomos pro evento.Pra passar o tempo peguei uma folha e começei a desenhar, e só terminei quando cheguei.E enquanto isso os dois tinham ido pra Liba.
-Tentei descobrir como ir pra lá também, só que iria demorar muito pra chegar então eles disseram pra mim esperar no evento mesmo.Fui pra praça de alimentação e fiquei esperando.
-Duas meninas da minha caravana pediram pra sentar comigo, depois esperei mais um tempo...E eu com medo de sair da mesa porque se eu saisse eu perdia o lugar, mas poxa, eu não tomei café porque só consegui fazer o bolo.E não iria come-lo sem os dois...~
-De repente uma caixa cai na mesa e o Tuco me abraça, e perguntando se eu tava bem e tirou da mochila um prato de sushis e niguirizushis.
-Ele me mostra a espada que comprou na liba.
-Puxei a orelha dele!XD
-Lola chegou e Tuco foi comprar bebidas, nisso eu conto pra ela do bolo.
-Ele volta e eu comento do presente dele.Depois de comer eu mó sem jeito entreguei a cartinha e o desenho e disse pra ele ler depois e que não ficasse chateado com o que eu ia entregar.
-Dei o bolo pra ele e comemos um pouco, deixamos pra mais tarde.
-Lola tava morrendo de cólica, e Tuco precisava de créditos pro celular então a Lola levou a gente pra uma banca que tinha por perto e foi procurar a Suka.
-Momento Cla e Tuco presenciando um estupro de uma guria que levava tapas na bunda e que gritava pro cara parar como se ele estivesse metendo nela...XD
-Compramos os créditos pro celular dele e voltamos pro evento e ficamos assistindo o concurso cosplay, com uns cosplays muito fodas![Sesshoumaru, Coringa, Jogos Mortais, Mestre Kame...] e fomos procurar presentes.
-Fomos pro banco com a Lola e tiramos fotos, Tuco leu a carta, eu estava morrendo de sono, conversamos muito, e o Tuco propôs uma coisa:
'Vamos tirar uma foto tipo eu e clá do lado e a lola que é mais leve em cima.'
-Foi massante eu conseguir deitar do jeito que ele queria naquele banco...
-Depois tivemos que tirar mais fotos porque as primeiras deram errado...
-No fim das fotos eu perdi o equilibrio e rolei pro chão...
-E a Lola caiu em cima de mim...!XD
-TÁ LIGADO NO CARA ESTRANHO DO NOSSO LADO?XD~
-Eu me ralei, mas tudo bem...depois disso a Lola foi procurar a Suka de novo e eu e Tuco ficamos conversando e ouvindo música...
-Fomos em direção ao palco dos shows, voltamos pro banco porque não tinha nada no show, e logo a Lola nos achou.
-Doação de sangue para a espada do Tuco.Mas só a Lola conseguiu doar...Minha pele não perfurou...; _ ; eu queria que fosse o meu sangue...!
-Hora de ir embora...~ Eles me deixaram em frente ao meu onibus!
-Chegando em casa arrumei o CD de RxJ pra Lola, e chorei...
Domingo, 20 julho 2008
-Me ligaram dizendo que iriam chegar mais tarde, mas eu também iria entrar tarde porque a fila pra entrar no evento estava enorme...
-Quando eu entrei eu pensei em onde ficar para encontrá-los assim que entrassem no evento.Mas pra variar o Tuco surgiu do nada.E fomos para uma parte do evento onde não tinha 179 otakus por m².Aproveitamos pra almoçar no restaurante...
-Pena que eu esqueci que eu tava só com 6 reais na carteira...
-Mas Tuco pagou o resto [Toh devendo dinheiro até pra ele...] e comprou doce!*___*~
-Saimos do resturantezinho e vimos grama e deitamos.
-A Lola chegou no evento e ficamos os três, até que ela viu a Suka na nossa frente e foi até ela.
-O celular dela começou a tocar e ela voltou, ficamos conversando [Lola jogando pau na minha boca...XD], mostrei os mangás pra eles.
-Momento quesito de perfeição masculina da Cla...XD
-Tuco disse que foi bem aquilo mesmo o que aconteceu!XD~
-Saimos da grama pra ver se o show do Shaman tinha começado, mas ainda não...então voltamos pra grama porque o banco da Lua tava ocupado.
-Lola e Tuco me contaram algumas coisas.Principalmente pelo fato de eu parecer a Maria [Mariiiiia!*___*~]
-Falaram que o show iria começar então voltamos pra dentro do evento.Lola comprou Mupy[Com um cara estranho que só de ver ela beijar minha bochecha perguntou se a gente se beijava normalmente...!XD]Comemos mais bolo, assistimos animekê, depois começou o show, dizendo que seria DVD e talz e a Lola foi embora.
-Eu e Tuco sentamos e voltamos para o show umas 3 vezes, pra ver se tinha algo que valia a pena [Ele dizia que o vocalista não sabia cantar...o . o'], sentamos, eu fiquei cantando, ele riscou um CD pra mim...XD~
-Fiz uma aposta com o Tuco de que a luz atrás do mato era um poste...ele dizia que era a Lua...
-Ele ganhou a aposta... . _ .~
-Cantei For Fruits Basket, começei a chorar, até que eu me recuperei e a Lola ligou perguntando onde a gente tava...
-Procuramos a Lola e ela nos achou depois.Eu estava com sede então fomos procurar alguma coisa pra eu beber, e achamos um bebedouro.Bebi e fomos para as caravanas porque tinha gente que já estava saindo e eu não sabia pra onde era a minha...
-Eles concordaram em me levar até ela, só que eu comecei a chorar de novo...[Perdi minhas lentes de contato nisso...XD]
-Parei de chorar e encontramos a caravana, voltamos um pouco pra não ficar muito longe de nada mas também pra não ficar na frente do mundo...
-Conversamos mais um pouco, até que o IDIOTA do Edson apareceu pra me mandar ir pra caravana sendo que eu sabia que tinha que ir e o show ainda nem tinha acabado...Nossa como eu quis MATAR o Edson...E ele não saia de perto!Tipo, nem me despedir eu posso caralho!x_____X~ japonês sem noção é fogo...
-Por fim eu fui embora antes do show acabar, mas a caravana saiu mais tarde porque faltava alguém que não apareceu na caravana...acho que ficou por são paulo mesmo...
Tava bom...Poder ver, ouvir e tocar nessas pessoas... . _ .~
por CLARISSA FAZANO * 10:52 AM
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[Quarta-feira, Junho 18, 2008]
Capitulo 12 - A Justiça Divina
É realmente estranho ser presa.Ainda mais quando você não tem idéia do que pode ter causado isso, supondo que a caixinha de música que eu roubei e a mochila foram mais presentes para eu me lembrar de Khrono do que um crime de verdade.Mas de qualquer forma, lá estava eu sendo levada, brutalmente, por um pelotão de exército.O comandante tinha um olhar extremamente rígido e fechado.Os cabelos louros e lisos, os olhos de um verde amarelado, a farda possuia detalhes que lembravam a imagem de um raio.E com certa razão, porque seus pés batiam tão forte no chão enquanto marchava, que realmente parecia um trovão e aquela imagem loura e brilhante chegava a cegar em determinados ângulos com a luz do Sol.
Ele carregava consigo um mastro com uma bola de energia ao topo.Ele pegou a bola e colocou entre as minhas mãos e assim se formaram algemas em volta delas.Gemi de dor porque elas queimavam e pareciam dar choques simultaneamente.
-Levem-na direto para o tribunal.Eu irei mais tarde.-O general louro disse.
-Sim, senhor.-Respondeu um dos soldados, pegando em seguida um dos meus braços e outro soldado fez o mesmo e antes de saber o que aconteceu estava acima das nuvens.
-Uau...
-Quieta!
Estremeci, estava claro então que nem me surpreender com o local eu poderia.Mas seria difícil, uma vez que eu nunca estive acima das nuvens antes e nem mesmo o castelo de Khrono era tão...celestial quanto o que eu via a minha frente:Uma sequência de pilastras de cristal, que se perdiam no horizonte vertical em que meus olhos observava.Entrando pude perceber que aquele era o tribunal.Bem a frente havia a mesa do juri, no alto.Atrás havia uma arquibancada, onde havia algumas pessoas já sentadas.Uma delas eu imaginei que fosse Hiki, pelo que eu lembrava do que Khrono tinha comentado dela pra mim era do cabelo, que na realidade era uma chama quente e vermelha.
Ela se inclinava para frente para falar alguma coisa para BW, que estava entre a mesa e a arquibancada, no mesmo nível que eu.
Esqueci de mencionar que a mesa do juri e a arquibancada pareciam ser feitas de diamante.Foi o que BW me disse quando veio até a mim para me apresentar ao local apropriadamente.
-Podem deixar ela comigo.Eu cuido dela.-E pegou entre suas mangas uma marionete e esta estava agora em cima da minha cabeça.
-O senhor Arashi mandou que nós...-Um dos soldados tentou revidar.
-Arashi só pediu que trouxessem ela até aqui, seus cabaços.A partir daqui eu quem cuido dela.
BW foi categórico suficiente para que os dois desistissem e fossem embora.
-Por que estou sendo presa BW?-Perguntei, mesmo que com medo do que ele pudesse falar para mim.Ele não parecia estar acreditando que eu era inocente.
-Ah, sei lá....Deve ser mais uma maluquice da 'senhora dos céus'.-É, talvez ele só estivesse incomodado com a situação que Hoshiki tinha imposto a ele.-Ela não pode ver defunto sem julgar...
-Mas o que ela disse pra você sobre isso?
-Você vai saber o que aconteceu.Vai ser um dia longo hoje, principalmente porque não será só o seu julgamento...
Ao menos para ser julgada eu não estava sozinha...
As portas da entrada se escancararam, e dali surgiram muitas pessoas.As da frente foram ocupando lugar na arquibancada atrás da mesa do réu, até que eu pude ver de relance alguém conhecido...Se não estivesse passando tanta gente, eu poderia jurar ter visto Keiji ali.
Na arquibancada da frente, ao lado oposto de Hiki sentou o que para mim parecia ser Moriki, encapuzado com uma capa de veludo castanho escuro e folhas presas as barras.
Por último entrou Hoshiki.Alta naturalmente, mas ainda assim de salto alto.O sapato batia forte sobre o chão mas ainda assim era elegante, parecia desfilar a caminho de sua mesa.Assim que se sentou olhou furtivamente para todos os cantos, onde analisava todos os presentes.
-Dou início ao julgamento de...Kura Aotsuki?É isso?-E olhou em volta me procurando.Eu já sentia lágrimas rolando pelo meu rosto de dor pelas algemas.Ela vendo minha situação deixou escapar um sorriso no canto da boca.-Me surpreenda que um ser tão estúpido possa ter cometido tal crime...
-Porque ela não cometeu nada!-Mais uma vez a porta se abriu com violência.Uma violência ainda maior que a da primeira vez desde que entrei.Do fundo do tribunal, caminhando a passos largos, Khrono irrompeu na sala.-Aotsuki é inocente!
-E Keiji Toshida?-Ela ignorou o que Khrono havia dito.Procurava Keiji, e eu também.
Ele estava do outro lado.Estava com uma aparência mal cuidada e cansada.
-Condenados por crime de Destruição de propriedade e Sequestro, respectivamente.
-Kura não destruiu nada!-Khorno insistia.
-Como você sabe?-Hoshiki perguntou impassível.
-Ela esteve comigo durante todo o tempo.
-Então de duas uma, ou você é cúmplice ou...
-Ouse dizer isso...-Desafiou Khrono.
-E o que o fez pensar que tem o direito de entrar deste jeito neste tribunal e me dizer uma coisa dessas?Todo mundo aqui sabe que você gosta de se aproveitar das garotinhas e depois extermina-as!Isso não é novidade para ninguém aqui exceto a própria!
-Cale a boca Hoshiki!Eu sou um dos reis e tenho o direito de fazer o que bem me entende!
-Pouco me importa o que você faz, mas em meus domínios, não, Khrono!Você não faz o que bem entende aqui!Ela será julgada porque cometeu um crime e foi denunciada por um habitante de seu reino, alegando vê-la destruindo o rélogio mestre!
-Vai a merda o relógio agora!Depois eu me viro com isso, mas ela não fez nada e eu posso afirmar que você não tem o direito de condená-la por ter desobedecido regras que existem nos 'meus' domínios!-Khrono deu uma ênfase maior quando disse 'meus', me encontrou na mesa e arrancou as algemas com as próprias mãos.Eu gritei de dor, parecia que ele ia cortar junto com as algemas a minha mão e dali exterminaria todo o meu tato.
-Cuidado com ela seu troglodita!-BW deu um tapa na mão de Khrono.-Eu não tô cuidando dela pra você vir bancar uma de gostosão e machucar ela assim!Pode soltar, mas não precisa ser cavalo!
Khrono me pegou pelo ombro e murmurou um 'Vamos pra casa', mas Hoshiki se recusou que deixassemos o tribunal e mandou que eu ficasse, Khrono sentou do meu outro lado.
-O seu amigo, Keiji Toshida...Kura Aotsuki...É culpado, alegado por sequestrar e esconder a princesa do reino da Floresta, Hélos.Sentença:Morte!
-Você não fez isso, fez Kei?!-Gritei me voltando para ele.O rosto empalidecido respondeu.
-Adiantaria eu dizer que não...?Acho que não.
-Adianta Kei...Adianta!Pra mim!Pra mim adianta!-Khrono e BW me seguraram para que eu voltasse a me sentar.
Ele acenou um não com a cabeça.E eu não soube interpretar aquilo como sendo uma resposta a minha pergunta, ou se talvez fosse um sinal de derrota.
-Termina aqui esta audição.-Hoshiki anunciou o final.-Mandem ele de volta para o cárcere.
-Não!Eu encontrarei Hélos!Eu encontrarei ela!E o libertarei Keiji!Eu prometo!
Hoshiki parou e se virou para mim.
-Vamos ver então...Deixarei ele vivo para esperar que você volte com ela, se não voltar antes dele morrer por desnutrição bem lentamente...Porque você trazer Hélos de volta não irá significar a inocencia dele.-Ela deixou novamente um riso escapar no canto da boca.-Mas se você não encontrar Hélos, pode considerar seu amiguinho morto mais cedo.-Entre risos e gargalhadas ela saiu do tribunal, por uma saída à frente, especialmente feita para ela.
Saímos todos do tribunal, Keiji foi levado novamente para sua prisão, enquanto Khrono me levava pelos ombros.
-Vamos...Vamos pra casa.Esqueça tudo isso Kura...Ele nem sequer pareceu contente em vê-la...
-Eu sei que não, mas...
Eu sempre sentia uma vontade imensa de perguntar o que significaria para os outros a representação dos meus próprios atos, mas afinal, se Khrono odiava tanto Hélos, se ele gostava tanto de se divertir com mocinhas, porque afinal tinha ido até o tribunal para me tirar de lá mesmo depois de ter me abandonado no castelo?
-Eu sei o que está pensando Kura, mas...Você é importante e única.Se não eu não teria vindo até aqui.
-Fale a verdade pra ela Khrono...-Pediu BW chegando para me levar para o reino da Floresta para descobrir o que aconteceu com Hélos.-Ela merece.
-Essa é a verdade.
-Khrono...-Chamei-o, pedindo sua atenção.Ele se virou para mim esperando o que eu iria dizer.-Eu quero encontrar Hélos...Pelo bem de Keiji, e dela própria...Eu sei que ela também é importante pra você.Eu vou salvá-la...
-Eu quero que a Hélos morra!
-Você pode até querer isso Khrono.Mas ela não quer que o amigo dela morra...-Interviu BW.
Repentinamente o som de passos pesados e ritmados veio se aproximando.O homem de cabelos louros estava de volta ao reino dos céus, e BW foi ao seu encontro.
-Pode até procurá-la...Mas não vai encontrá-la.-Disse Khrono.
-Obrigada por entender...-Sorri.Khrono pareceu perturbado com o que tinha acabado de acontecer e saiu virando as costas.Murmurou-me um 'Boa sorte, minha Kura.' e caminhou para o reino do Tempo.Assim que Khrono partiu BW voltou para perto de mim.
-Até que enfim, achei que ele não iria desistir nunca de te impedir.Vamos, o cabaço já voltou pro reino da Floresta.Arashi me garantiu que iria tentar convencer a Hoshiki a ceder que Keiji fosse supervisionado e que pudesse viajar com você.Mas preste atenção Kura...-Meus olhos já estavam marejados de agradecimento por BW tentar conseguir que Keiji pudesse ficar comigo.-Keiji foi pego porque uma das árvores da floresta o denunciou...Isso são provas concretas de que ele realmente tenha sequestrado Hélos...Mas eu prometo que eu vou tentar libertá-lo também.
-Obrigada!-Hesitei em abraça-lo, não possuia intimidade para tanto, foi o que a minha consciência disse.
-Vamos para a Floresta agora.Segure-se!-Ele pegou a minha mão novamente e tomou impulso.
Nota de rodapé:Eu quis fazer um 'especial' do Khrono, porque ele ainda é importante na história, mas não existirá mais essa coisa de K+K da forma melosa.[Eu ao menos não estou planejando nada até agora que eu pensei para a história que vai vir nesse exato momento...]
Vamos para a floresta do Moriki, um lugar bizarro e dificil de descrever porque é mágico demais para as minhas palavras...*risos* ao menos é de acordo com o 'dono'.Esse capitulo deu uma ideia de várias coisas, a idéia de que a Miyuki e a Kura são a mesma!Principalmente isso na minha opinião, até porque eu quero trabalhar bem nas duas, mas ainda não sei como vou fazer isso.
Quero deixar uma idéia no ar:Miyuki e Kura sentem coisas simultâneas basicamente...Por isso a Kura se sente sozinha quando o Keiji não fala com ela. Isso pode me ajudar futuramente!*risos*
Escrito a pedidos e anseios das pessoas que se interessam!*gruda e roda*
Baibai!
por CLARISSA FAZANO * 8:58 PM
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[Sábado, Maio 24, 2008]
Capitulo 11 - A Promessa.
-...Pra sempre?-Perguntei sem realmente entender o que o significado simples daquelas palavras queria dizer.
-Sim...Não gosta da idéia?-Ele se afastou do abraço, me encarando nos olhos.
A necessidade por um abraço foi encontrada naquela separação e se fez perceber, me joguei novamente em cima dele para que voltasse a me abraçar.Eu nunca quis ficar sozinha...Mas o que seria o 'pra sempre'?Como ele seria?E nunca tive idéia do que realmente seria estar com alguém pra sempre, muito menos agora que Keiji se recusava a me tratar bem.Não...
Ele me tratava bem.Antes de eu demonstrar a ele os meus sentimentos...
Me afastei bruscamente de Khrono.
-Tudo bem...Entendo que está confusa...
Permaneci em silêncio, como se meus pensamentos tomassem conta da realidade para que eu não me pronunciasse.
-Eu estou indo então senhorita.-Ele se preparou para levantar...
-Espere!-Puxei-o pela capa quebrando a corrente que a prendia em seu pescoço.-Me...me...me desculpe...me desculpe...!
Ele se aproximou e me confortou novamente.Naquela noite pedi que ficasse comigo, e ele prometeu realizar aquele pedido se eu aceitasse o dele.Eu disse que aceitaria o pedido dele se ele também prometesse ficar comigo.Ele voltou a se sentar, me abraçou, me deitou.
-Khrono...-Eu estava vermelha, tendo novamente a sorte de estar escuro.-Eu juro que não importa...Não importa quanto o tempo passe, desde que você fique comigo e não me deixe sozinha...Eu continuarei com você...
-Isso é quase mais do que eu preciso.-Ele me abraçou mais.
O abraço se tornou cada vez mais intenso, mais envolvente, e daquela maneira adormecemos.Deitados na cama, como se aquele momento fosse perdurar até o momento que nos separassemos, o que me deu a entender que não aconteceria nunca.Khrono nunca deixaria que aquele instante fosse embora.
'Eu gosto de você Aotsuki...', foi a última coisa que eu ouvi antes de adormecer nos braços dele.
Quando amanheceu Khrono não estava mais lá.Desci as escadas mas o castelo parecia estar deserto.Estranhei não encontrar também nenhum dos criados, parecia abandonado...Chamei por Khrono, esperando que ele viesse ao meu encontro com um 'bom dia' e me chamasse novamente para um passeio e que novamente ele pediria que eu ficasse junto dele.
Mas não veio nada...
O relógio marcava 12 horas, o que me assustou.Será que eu tinha dormido tanto?
Subi novamente as escadas.Parei assim que cheguei ao andar de cima e olhei...Ali estava a porta do quarto dele.Ela me chamava de tal forma.Há muito tempo, mas aquele parecia o momento que eu não iria conseguir e iria me render ao apelo.
Caminhei até a porta e dei duas leves batidas.E então cuidadosamente abri e comecei a entrar.
Era estranho entrar no quarto dele e ter me deparado com aquela imagem...Ali o pó acumulava em cima dos móveis, e havia vidro quebrado espalhado pelo chão.Havia um quadro na parede que me chamou atenção...Estava com a tela rasgada.
A imagem de uma mulher.Uma mulher de cabelos castanhos e olhos verde muito intensos.E aqueles olhos me hipnotizaram tamanho era o sentimento que eles eram capazes de demonstrar.Naquela foto pareciam mostrar um pouco de introspecção, um olhar frio.Parecia que na verdade ela mesma estava hipnotizada por algo.Eu sabia quem ela era...
-Hélos...-Murmurei.
Não sei por mais quanto tempo fiquei contemplando aquela imagem e me perguntando porque estaria naquele estado.Tanto ela, quanto a tela.Mas quando me distraí do quadro notei que ao lado havia uma porção de cacos de vidro e uma mesa, esta estava sem pó, e nela havia um vaso de cristal com duas margaridas, o relógio de bolso que ele usava.
Havia uma gaveta imbutida em baixo da mesa, a qual não consegui deixar de abrir.Dentro havia uma caixinha.Não sei por que, mas senti a necessidade de levá-la comigo.
Achei melhor sair do quarto antes que alguém pudesse me ver e contar ao Khrono e assim ele ficaria eternamente enfurecido comigo.
Não que o fato de eu ter roubado uma coisa do quarto dele já não fosse motivo suficiente para ele ter uma reação dessas...
Peguei a caixinha.Seria uma lembrança dos dias que tinha passado com ele, e o que ele tinha sido pra mim.E fui até o quarto para pegar o diário também.Coloquei-os dentro de uma bolsa que havia dentro do armário e desci as escadas rumo a saída do castelo.
Olhei para trás.Não sei porque, mas o fato de ele não ter estado comigo quando acordei fez com que eu não quisesse mais cumprir minha promessa de ficar ali para sempre.Eu iria procurar Keiji já que ele não era capaz de me procurar.Os momentos com Khrono, mesmo que insubstituíveis, não iria conseguir aceitar que eu tinha passado a ser tão importante, se nem ao menos continuar dormindo comigo ele continuou.Eu não iria conseguir cumprir a promessa de ficar sempre com ele...
Mas eu poderia não estar com ele, mas ainda assim iria lembrar quem havia me chamado para dançar e tinha me ouvido e dado todo aquele carinho para que eu me acalmasse e conseguisse dormir também.
Ele ainda estaria comigo...De certa forma, pelo menos.
Não sei onde todos estavam desde que acordei, mas sabia que estariam comigo.Dentro da bolsa que eu havia pego.Dentro do meu diário...
Dentro de mim.
Isso me deu um sentimento otimista de que eu seria capaz de seguir adiante e fui descendo as escadas do castelo.E iria procurar Keiji, que assim que encontrasse Keiji conseguiria perguntar a ele...
O que eu tinha que saber...?
Eu sei que eu tinha alguma coisa importante para saber, e que só o Keiji poderia me responder...Mas o que era...?
-Você!
O que está...?
-Fique onde está!Está presa por destruição de propriedade!
Nota de rodapé:Fim...Eu acho que eu corri muito com o assunto Khrono e Kura, mas eu fui escrevendo e saiu assim, rapido demais...Até agora eu não sei o que aconteceu com ele por ele não ter acordado na mesma cama com ela, mas o que importa é que nenhuma promessa pode ser cumprida.Não importa qual a promessa que se faça.Ela nunca se realiza...*pessimismo*Mas isso dá ao menos uma culpa menor das que você mesmo não cumpre!
Eu gostei de escrever esse capítulo.Mesmo que eu tivesse pensado em escrever coisas diferentes eu acabei optando por isso mesmo que está escrito.Até porque eu acho que tanto o relacionamento dos dois não era algo além disso[Ao menos pelo que eu escrevi até agora...] e acho que o quarto foi descrito exatamente como se fosse a mente dele.Eu achei super dificil descrever, mas ao mesmo tempo fluiu a escrita.
O olhar da Hélos foi dificil descrever, mas é a expressão de quando você só esta presente em um lugar físicamente, e os pensamentos estão anos luz dali...*risos* Esse olhar hipnotizado, quando olhado separadamente dá um ar de indiferença e até mesmo transmite um parecer de superioridade e tudo mais...Já a música da caixinha eu estou aberta a sugestões...Mesmo que eu tenha o meu palpite atual sobre Itoshii Hito- Miyavi, mas eu ainda estou pensando em músicas pra ela.Uma dica é...
A caixa é da Miyuki~
por CLARISSA FAZANO * 8:20 PM
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[Sábado, Maio 17, 2008]
'Eu odeio Keiji Toshida...Eu o odeio.
Justamente uma das poucas pessoas que eu imaginei que poderia ter me esquecido assim.Como se eu nem fizesse diferença no mundo.Justamente ele.
Porque tinha que ser ele?
Eu estou decepcionada, nunca imaginei que ele me trairia assim... Eu pensei que ele fosse diferente, que ele se importasse realmente, que ele não iria me esquecer, e não iria me abandonar depois de tudo o que eu disse à ele, mas mesmo depois de anos e anos tentando fazer com que eu me abrisse de volta para ele, quando eu consigo contar a ele o que eu sinto ele foge... Nem sequer me procura.Eu me arrependo.Me arrependo profundamente de tê-lo deixado entrar no meu mundo, entrar na minha alma e nos meus sonhos pra então, negligenciá-los.
Se eu pudesse nunca teria prometido entregar a ele esse diário.E nem sequer estaria escrevendo nele!!
Eu odeio Keiji Toshida.
Eu o odeio...Eu o odeio, odeio, odeio.
Eu quero que ele suma, pra sempre...
Eu nunca mais vou demonstrar o que eu sinto pra ele.
Nunca mais.'
Nota de rodapé:Aos que acham que isso não tem nada a ver.Digo que é muito além do que parece ser.Aproveitando a brecha de que ninguém lê e a necessidade de expor esse pequeno sentimento passa por mim toda vez que eu penso no Shoran.O que não vem sido pouco desde que eu parei pra pensar que até hoje ele não falou comigo nem pra cumprimentar sobre o meu aniversário nem o da Ka[O que de certa forma me deixa mais aliviada, egoisticamente falando, já que eu pelo menos não fui a única...Porque se tivesse sido...Ia ser bem mais trágico.]
Isso não é um capítulo, mas sim, é importante.Para JouJou, sim!Eu considero tudo isso que está escrito de extrema importancia.É a imagem que a Kura está tendo do 'atual Keiji', ou melhor, Akira.Mas como ela ainda não entende o que acontece, pra ela é o Keiji que a trata mal.
Nem tudo o que está escrito é devido ao meu sentimento atual pelo Zuchi, tem suas tendências nostalgicas porque a Kura não odeia realmente o Keiji, ela QUER odiá-lo...
Ambas queremos odiá-los.
_Musicas do Gackt, principalmente Emu~For My Dear ou White Eyes ou até mesmo Seki-Ray servem para demonstrar esse desespero, essa raiva e angustia.Principalmente quando você para pra pensar que é exatamente assim, com alterações no estilo de fonte que eu escrevo *ou escrevia* nos meus diários.Simplesmente porque quando você tem raiva, é necessário um recalque com a caneta, em letras garrafais para escrever e extravasar aquilo..._
por CLARISSA FAZANO * 2:07 AM
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[Sábado, Maio 10, 2008]
Capitulo 10 - Diamantes são eternos.
Os dias foram se passando de acordo com o que já havia acontecido.Alguns passeios pelo castelo, em que Khrono me guiava, os jantares, mas nunca mais ele havia me convidado para dançar.Eu fiquei com medo de perguntar se a culpa era minha.Passei os quatro dias que se seguiram com um peso na consciencia, uma barreira intransponível em que meus pensamentos se fecharam para que eu me perdesse nessa questão da 'minha culpa'.
Até que no final do quarto dia, quando foi me deixar em frente ao meu quarto, como ele fazia todos os dias e todas as horas, ele pegou a minha mão.
Mas não a levou a boca, e me puxou pela mão para perto dele...Me abraçou.Seu lábio tocou na minha bochecha, ou talvez um pouco mais ao lado...Eu não consegui raciocinar sobre o que estava acontecendo.
-Boa noite...-Disse ele voltando a antiga posição.Mas ainda segurando minhas mãos.-Tenha bons sonhos.
Ele esperou que eu respondesse, mas vendo a minha dificuldade, seguiu para seu quarto.E eu continuei ali.Parada...Presa nos meus devaneios.
'O que aconteceu?...Então eu não havia feito nada de errado...?'
Suspirei.
Khrono havia se tornado um apoio para mim.Mesmo que eu não soubesse o que lhe dizer, ele sempre me contava alguma coisa de seu reino, de sua vida como rei, falava muito pouco do passado mas até mesmo soube o que Hélos incomodava ele.Hélos é princesa da Terra, e seu pai, o antigo rei do Tempo, selou o destino dos dois para que ficassem juntos, mas Hélos e Khrono tinham outras preocupações...
Hélos zelava para que seu irmão, Moriki, crescesse um homem forte, experiente, decidido.E Khrono também tinha uma irmã.Uma meia irmã, que ele também, apesar de querer o mesmo pela irmã, ele não conseguiu protegê-la, e sua irmã padeceu.Ele se trancou, sofrendo pela irmã, e mesmo que Hélos tentasse ajudá-lo, de nada adiantava, uma vez que para Khrono, Hélos zelava mais pelo irmão do que pelo futuro que os dois poderiam ter juntos.
Ao menos foi isso o que ele me contou...
Só quando já era manhã percebi que havia dormido com a janela aberta e com a roupa do jantar.Galadriel balançava meus pés para me fazer acordar.A bandeja do café da manhã na mesinha da cortina.
-A senhorita dormiu desse jeito, com a janela aberta no frio que fez essa noite senhorita!?O que pensa que estava fazendo?
-Dormindo...-Respondi mau humorada.Sentia como se não tivesse descansado durante a noite.
-Levante, menina!Vai ficar doente!-Leila apareceu para descobrir o que estava acontecendo.
Levantei.Sentia frio, meu corpo tremia, eu sentia que estava perdendo calor.Elas o mais rápido que puderam, me jogaram na banheira, e em seguida a água quente me fazendo relaxar e sentir o calor voltar.
-Porque estavam com tanta pressa em me acordar?-Perguntei.Afinal, eu merecia uma explicação para aquela correria.Colocaram um vestido e mal eu havia me vestido e me sentava para tomar o café, Khrono entrou pela porta.
-Bom dia.-Ele sorriu.-Já está pronta?
-Sim, já estou me acostumando à rotina.-Sorri para ele e estendi o braço em direção à cadeira, pedindo que se sentasse.As duas perceberam que ainda estavam no quarto e se retiraram, fechando a porta.
Ele obedeceu e aproveitou que quando aproximou a cadeira da mesa, levou-a mais para o lado onde eu estava.Foi um ato sutil, mas que com Khrono eu aprendi a notar algumas dessas coisas.Significava que ele queria ficar mais próximo.Que estava precisando conversar sobre alguma coisa importante que o incomodava.
E eu estaria lá.Para qualquer coisa que ele viesse me dizer.Eu estaria lá...
-Dormiu bem?-Ele perguntou inocente, e eu assenti afirmando com a cabeça.-Que bom.
-Você?-Perguntei.Ele ficou um minuto em silêncio antes de me responder, disse que tinha dormido pouco e que sua cabeça estava doendo, ele riu dizendo que era provavelmente porque bebera muito na noite passada.-Mas você sempre bebe muito.
-Mas acho que ontem eu passei do meu limite...-Ele sorriu.-E...quanto aquele....aquele beijo...Eu acho melhor você...
-Esquecer?
-É...Talvez seja melhor...
-Então...Pode esquecer!-Sorri.
Não adiantaria ele me pedir, me implorar.A minha memória, a minha lembrança.Eram somente minhas.
-Kura...-Ele riu um pouco constrangido.-Eu...Eu ainda...
-Ainda ama ela.Não é?-Perguntei.Tentando disfarçar a minha rigidez na fala.
Ele fez silêncio.Se dirigiu até a minha cama e se sentou nela.
-Me conte Khrono.
-Você não vai querer ouvir...-Ele virou o rosto.
-Me conte...
Novamente o silêncio.Houveram muitas pausas nas tentativas de começar dele.E eu me sentia inutil a cada palavra ou a cada silêncio.Porque eu só poderia ouvir, mais nada...Eu não poderia cessar seu sofrimento, eu não poderia aconselhá-lo, nem consola-lo.Não poderia fazer nada.Só ouvir...E tentar imaginar o que estava passando, somente imaginar.
-Sabe Khrono...-Ele me olhou atento ao que eu ia dizer.-Eu também tenho um irmão...É a pessoa que mais me ajuda, mais me compreende, que eu mais tenho intimidade.Mas...Eu acredito que ele nunca deixaria de amar aos outros, por me amar...
-Eu não sei se eu devo ir atrás dela, se eu devo sumir, ou se eu devo deixar quieto assim como ela quer...
-Acho que você está esperando que ela venha aqui para te dizer algo que vai suprir esse sofrimento, mas acho que só você sabe, tão bem, que isso não vai acontecer...
Silêncio...Acho que este foi o mais longo de todos.O Sol já estava quase se pondo, tinhamos passado a tarde inteira conversando.E eu acredito que ou aquilo duraria o resto da noite, ou terminaria com aquele meu comentário, no qual eu já sentia que ele iria levantar, agradecer, e dizer para nos encontrarmos no jantar.Iria terminar ali, com aquela minha frase insensível...como sempre, até porque eu não sei pensar romanticamente como Yori...
Olhavamos em direção da janela, ele estava demorando para se retirar e me deixar com minha culpa.Minha mente caminhava pelo que tinha acontecido entre eu e Keiji que ele nunca mais me procurou, Yori e suas paixões que me fazem parecer uma idiota, Hélos e porque ela tinha feito algo para Khrono, como ela realmente fez, o que levou ela a fazer.
Por que o amor significa tanto...?
Lembrei de Akiya, o que tinha acontecido no namoro que deu errado, me senti culpada pelo que estava fazendo.Afinal, ele havia sido 'deixado' por Hélos, da mesma maneira que eu deixei Akiya...Seria eu ou ela, alguém indigno de confiança, desumano, insensível...?
Ele fechou os olhos, abaixou a cabeça.
-Como...?-Ele hesitou.-Como pode...?Por que você?...
Eu era como Hélos, e eu também deixaria Khrono assim como ele estava por causa dela.Deixaria ele da mesma maneira que tinha deixado Akiya...Por isso aquele Keiji insistia em não me deixar apaixonar pelo rei...Para não machucá-lo...Eu não era confiável...
Eu não era nada...
-Por que você é a única...Por que é você quem me diz o que eu tenho que ouvir na hora que eu preciso ouvir...?Por que você é a única que entende?...-Ele se virou para mim.Deparando com uma expressão que não era a esperada.Não era essa expressão que eu queria demonstrar a ele, não era aquela expressão que eu queria que ele visse aquela hora, principalmente.Ele precisava de uma outra...Um sorriso que fosse...Tentei...Eu juro que eu tentei dar um sorriso...
'Não precisa forçar sorriso na minha frente...' dizia Keiji...
E então as lágrimas vinham...Lágrimas que escorriam pelo meu rosto e paravam nas mãos de Khrono.
-Me conte Kura...Por que chora?...
-Eu...Eu não sei...!-Escondi meu rosto nas mãos.
Ele pegou uma das mãos e segurou meu rosto.
-Suas lágrimas...-Ele levou uma delas até a boca, beijando o dedo.-São como diamantes...Não deveria jogá-las fora.
E me abraçou.Insitintivamente eu retribuí àquele abraço.
-Kura, o que você sente por mim...?-A voz dele saiu sussurrada.Uma pergunta mais para si mesmo do que para mim própriamente, se não tivesse me dito tão próximo quanto estavamos, a boca nos meus ouvidos.
Uma sequência de arrepios, e eu não sei dizer se foi pelo sussurro, pelo frio, pela pergunta, ou pelo que eu sentia.
Mas ao contrário do que eu esperava:ser mandada embora do castelo pela desconfiança, pelo sofrimento dele que foi ignorado por mim...
-Kura Aotsuki, você estaria disposta a ficar ao meu lado?
O meu corpo paralisou...
-...Pra sempre...?
Nota de rodapé:Realmente à noite minha inspiração aumenta, eu acho...Esse capitulo é para dar 'início ao fim' de Khrono+Kura, isso porque é algo que tem de ser rápido, porque a maioria das paixões tem um final rápido, um inicio excitante, e um meio semi trágico.[Nossa que detalhista...]Até hoje eu não sei como pode você dizer, ou você ouvir certas coisas, você se apaixonar perdidamente por alguém...Mas isso existe.E se torna um relacionamento bonito, mas um pouco doentio...
Estranho foi eu conseguir escrever algumas coisas, até porque lembrar dessas coisas é difícil...Mas eu nunca neguei essa 'ligação' com a Hélos, meu ultimo mangá ta de prova, mesmo que ninguém tenha lido ele...[Só os que viram eu desenhá-lo!]E até hoje um pouco me condeno por isso, que também me lembra aquele e-mail que o Dako me mandou.A prova foi eu ter escrito esse capítulo hoje...
E eu passei esse capitulo inteiro ouvindo Cavalleria Rusticana~Intermezzo Symphonica - Pietro Mascagni.Música tema do capítulo da despedida do Kenshin, e que acaba abrindo em mim muitas emoções.Na verdade _TODAS_.As boas...
E as ruins...
Mas boa noite!Até o próximo capitulo,porque minha mãe já me xingou por eu ainda estar acordada!
por CLARISSA FAZANO * 2:41 AM
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[Quinta-feira, Maio 01, 2008]
Capítulo 9 - Um Tempo pra sonhar.
-Pode me chamar como quiser senhorita.Mas eu prefiro que me chame pelo nome.Khrono.-Ele pareceu magoado.-Eu posso te explicar sobre os reinos que eu conheço quando for hora do jantar.-E entrou para a escuridão do castelo.
A noite demorou para chegar.Eu também havia me escondido no meu quarto e afrouxado o espartilho para relaxar.Enquanto isso eu escrevia no diário.Tentava puxar na memória o que afinal tinha acontecido entre mim e Keiji na praça, como e porque eu encontrei Keiji lá, mas por mais que eu tentasse, eu só conseguia pensar que tinha sido apenas uma coincidência e ele aproveitou para me entregar o diário.
Mas eu sei que houve algo mais...
Fui interrompida com batidas leves na porta.Galadriel me chamava para descer para o jantar.
Sentamos à mesa do jantar, onde a prataria era tão bonita, o ambiente embriagando a minha mente de histórias e explicações sobre como eu havia parado naquele deserto.Khrono deu uma introdução sobre os reinos que dividiam o mundo, mas eu não lembro o que ele disse desde que fui obrigada a beber a segunda taça de vinho.Era a única bebida que havia.Ao menos a menos alcoólica...E eu não tinha resistência para isso...
-Existem diversos reinos no mundo.São os reinos:do Tempo-Ele fez um breve aceno para si mesmo-representado por mim, Khrono.Do Céu, representado pela comandante Hoshiki.Da Floresta, atualmente nas mãos da princesa Hélos-Ele disse este último com um algo na voz que eu não pude identificar, mas sabia que algo não lhe agradava-enquanto seu irmão não pode tomar a posse.-Ele se apressou para terminar-Do inferno, que eu não me lembro muito bem, mas me parece que ainda é a senhorita Hiki...
-O que há de errado com Hélos?-Perguntei.Talvez estivesse atrasada para perguntar sobre o que havia de errado, mas a culpa não era minha...
-Falamos disso em outra ocasião.Existem também o domínios polares, mas dizem que é um reino único e isolado, sem governantes.A lenda diz que a última herdeira morreu sem deixar descendentes.
Fiquei em silêncio.Acho que era melhor deixar que ele me dissesse quando quisesse.E após o jantar ele me deixou em frente ao meu quarto.
-Boa noite...senhorita.-Pegou minha mão e encostou os lábios nela.
As palavras não conseguiram sair antes de Khrono sair em direção ao seu próprio quarto.Entrei no meu quarto e Galadriel me esperava para tirar o vestido, me deixando somente com a camisola.Quando terminou de arrumar as roupas, se retirou do quarto me desejando boa noite.
Sentei na pequena mesa ao canto do quarto, logo ao lado de uma enorme janela, coberta por cortinas de veludo.Peguei o diário de Keiji e comecei a escrever um pequeno esquema sobre o que Khrono me contou sobre os reinos.Depois deitei para dormir.
Quando acordei já de manhã, Galadriel deu dois toques na porta antes de entrar e vendo que eu já estava acordada me ofereceu o café da manhã.
-Como consegue acordar tão cedo, Kura?Creio que ainda não conheça tudo sobre o castelo, não é?O senhor Akira disse que iria te levar a um passeio hoje assim que estivesse devidamente vestida para conhecer o resto do castelo e do reino.
Logo estava novamente me arrumando, ou melhor dizendo, sendo arrumada por Galadriel.Mas desta vez era um vestido mais leve sem tantas camadas de tecido.Um vestido branco perolado, sapatos verde água.E descendo as escadas, Khrono vinha em direção oposta, logo que me viu se apressou para que eu não pudesse fazer o que eu pretendia:Fugir dele.
Não que não gostasse dele, ou quisesse ignorá-lo.Só não pretendia que ele me visse tão cedo...
-Aonde vai senhorita Aotsuki?-Perguntou ele segurando meu pulso para me impedir de ir embora.
-Senhor Akira disse...me levar para conhecer o castelo e o reino.-Falei com tanta pressa que emendei palavras e comi algumas delas.
-Eu quem na verdade vou levá-la.Pedi a Akira para lhe informar, mas pelo visto ele não lhe disse quem seria sua companhia.
Parece que é exatamente quando você quer fugir de uma pessoa, é que a pessoa passa a te perseguir.E foi assim que Khrono fez uma curta reverência para pegar a minha mão para me levar para conhecer o castelo.'Aqui fica o escritório de Akira.Aqui ficam os jardins internos.Aqui fica a cozinha e ao lado os quartos dos criados.'dizia ele.Até a hora que ele começou a subir as escadas e, ao contrário do que eu imaginava, que seria ele me levar para o meu quarto, foi na direção oposta.
-Por aqui fica o meu quarto, Kura.
Quando ele disse 'meu quarto' eu senti minhas pernas falharem ao andar.Ele percebeu porque hesitou em continuar andando.
-Cuidado!-Ele sorriu, me segurando mais forte com medo que eu caísse.
Não, ele não percebeu que foi pelo que ele disse e não apenas um descuido meu...Tudo bem que eu admito ser descuidada e desastrada, distraida ou qualquer adjetivo prejorativo que começasse com 'd', mesmo assim nada muda o fato de ele estar me levando para mostrar o quarto dele.Nada!Mas é estranho como a curiosidade que se apossou de mim para conhecer a intimidade dele foi além do meu bom senso.Quando enfim estávamos na porta, ele se virou para mim.
-Foi uma ótima tarde, espero que a senhorita tenha apreciado tanto quanto eu, e que possamos repetir este dia, com uma volta pelo reino.Espero a senhorita na hora do jantar.Até mais Aotsuki.-Ele entrou sorrateiramente e fechou a porta.
Eu senti como se tivesse ficado contemplando a porta por muito tempo.Tanto tempo que só fui voltar àquela realidade quando eu ouvi a voz de Keiji.
-Abandonada pelo rei?
Continuei em silêncio.Era a primeira vez que ele falava diretamente comigo.Esperava alguma coisa melhor do que aquele comentário inconveniente na situação de desilusão que eu estava passando.
-Venha.Eu ajudo você.-Ele me pegou pelos ombros e me levou escadaria abaixo e foi em direção ao seu escritório.-Sente-se.-Pediu ele apontando para uma cadeira de madeira talhada e estofada.Obedeci, mas ele continuou em pé.
-Não vai se sentar também?-Perguntei sem esperar resposta realmente.
-Na verdade eu te chamei aqui para perguntar uma coisa.-Ele hesitou-Importante...
Ele se virou bruscamente para mim e caminhou até onde eu estava sentada.Senti minhas costas colarem atrás da cadeira quando ele se jogou com as mãos no apoio dos braços da cadeira e olhou nos meus olhos.Um olhar digno de Keiji...Examinava além do que ele podia estar realmente vendo.Se embrenhava pela minha alma.Isso que me incomodava naquele olhar, me sentia nua.Como se ele visse mais de mim, do que eu mesma via.
-Quais são suas expectativas com relação a Khrono?
Gelei.Como assim expectativas com Khrono?Eu não tinha nada a ver com Khrono e nunca poderia ter.Khrono me tratava simplesmente como sua hóspede.Eu tratava ele como súdita visitando o castelo.E mesmo que quisesse eu sou uma completa desconhecida.Khrono não sabia nada de mim, eu não sabia nada dele.Mesmo se ele me tratasse melhor até mesmo que Keiji, não havia nem haveria nada entre nós, se essa era a dúvida de Keiji.
A falta de resposta pareceu perturbar ele, que reforçou a pergunta empurrando sem querer a cadeira mais para trás, fazendo ela levantar um pouco os pés dianteiros.
-Não quero nada com ele!-Gritei tentando voltar ao equilibrio do chão.
Ele se afastou.Levantei e sai correndo do escritório, das escadas ouvi ele pedindo que eu esperasse.
Entrei no quarto e me joguei na cama.Sem saber o que realmente esperar daquele Keiji, daquele Yori, ou de mim...Os vários travesseiros me acolheram tão bem, mas eram manchados e apertados pelo meu desespero.Tive pena deles...Por fim, chamei Galadriel para me ajudar com o banho.
-Quando eu passei para vir até aqui, o senhor Khrono perguntou porque você estava chorando.
-Como ele sabia...?-Perguntei com a voz ainda pastosa de choro.
Ela sorriu.Me ajudou a despir a roupa, então eu entrei na banheira para o banho.A água quente que Galadriel preparou para mim me fez relaxar.
-O senhor Khrono está tentando ser atencioso com a senhorita Kura.
-De que adianta ser atencioso,com alguém comum?Porque se importar tanto com alguém que ele não conhece?
-Por que acha que a senhorita é comum?
-Não sou ninguém importante.Não sou nenhuma princesa ou qualquer coisa do tipo.
-Seu conceito sobre ser importante é distorcido senhorita.-Ela sorriu e permaneceu quieta, tornando o silêncio da minha falta de contra argumentação o final da discução.
Me arrumei e desci pro jantar, no mesmo ritual do primeiro dia.Ao menos eu já estava me acostumando a descer as escadas com aqueles sapatos, mas não poderia dizer o mesmo pra bebida.Engoli em seco quando pensei em como eu fiquei depois de todas aquelas taças de vinho.
Ao pé da escada estava Khrono, que fez a breve reverência antes de pegar minha mão, beijá-la e oferecer o braço para que eu seguisse com ele até a sala.
Durante o jantar, aquele mesmo ambiente que revirava a minha cabeça.Eu olhava embaraçada para Khrono que bebia álcool como faria com água.No primeiro gole o álcool tomou conta de toda minha garganta, fazendo com que tudo que eu ingerisse tivesse gosto de álcool.
Khrono se levantou da mesa e veio em minha direção.Os meus olhos desfocados pelo efeito da bebida não calcularam a proximidade.Ele pegou minha mão e me levantou da cadeira, e me levando para um salão à parte, onde ele não tinha me mostrado, colocou a mão na minha cintura.
-Faz tempo que não danço.Me de esse prazer de me acompanhar...
Nunca fui chamada para dançar...Eu nem sequer sabia dançar, mas o pedido dele foi tão espontâneo e imposto que antes que eu realmente dissesse que sim ele já dava os primeiros passos para a dança.
Dançar...Próximos, bêbados, inconscientes.Rodando e rodando...
-Kura, se existisse uma valsa eterna.Você deixaria eu guiá-la?
-Já está guiando.-Respondi com um sorriso.Acho que eu estava feliz, mas eu não sei porque respondi aquilo.
Ele me puxou para mais perto dele.
-Eu gostaria de tornar esta valsa eterna...
-Estou com sono...
Ele parou, mas continuava com os braços em volta de mim.Esperou alguns segundos e ofereceu o braço para eu segurar, em um gesto mudo da minha permissão para dormir.
-A valsa pode não ter durado, mas eu ainda vou estar aqui para você me convidar outras vezes...-Sorri, feliz pelo convite que ele tinha feito e abri a porta para entrar no quarto.Ele sorriu de volta e fez uma reverência.Fechei a porta com ele indo para seu próprio quarto.
Por um pequeno momento, quase segundos eu esqueci do fato de ele ser um rei e eu uma desconhecida.Por pequenos segundos eu fiquei feliz de ter bebido tanto, pois tudo aquilo poderia ter sido simplesmente um sonho que o vinho me proporcionou.Um sonho que antes que eu pudesse perceber, já começava a persistir em domar a minha mente.
Nota de rodapé:Este já estava praticamente pronto, eu só acrescentei algumas coisas.O que eu tenho pra comentar além de 'Não pensem mal de mim, eu tenho um objetivo com Khrono e Kura.Por favor não me matem.'? É que eu acho que é um conflito normal...Você se apaixonar por pessoas com simples palavras ou atos, coisas simplesmente banais.Talvez isso seja porque eu adoro Amores Platônicos...mas eu acredito que basta isso para um Amor nascer.É claro, eu tenho meus problemas com relacionamentos amorosos e isso acaba me influenciando a escrever sobre o meu conceito de Amor tão distorcido e platônico, quanto o meu conceito distorcido sobre eu mesma.Podem dizer o que for, mas eu acho que Amor 'espiritual' é mais importante que Amor 'físico'...[Claro, não que eu dispense o físico, né?*vermelha*Mas enfim...]
Engraçado que quando eu pego pra falar de Amor eu lembro instantaneamente das discussões aqui na minha casa com o Pedro, Iessi, Lidia, Matheus, Lorenza sobre todos os relacionamentos mais diversos de cada um.
_Ouvindo Jojoushi Hydeless_
por CLARISSA FAZANO * 1:55 AM
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Capitulo 8 - Eu estou acordando em um novo mundo!
Abri os olhos cuidadosamente para me acostumar à claridade.Só havia céu.Céu e Sol.Me sentei no chão apoiando com as mãos e olhei em volta, não havia nada.Como é que eu havia parado ali, com o diário que Keiji tinha me dado?Onde estava Keiji?Eu lembro que ele tinha me dado o diário e que estavamos juntos na praça e...
...Mais nada...
O chão era de areia, areia fina e seca.Levantei e comecei a andar em busca de um lugar para ir.
Aonde eu iria se nem saber, eu sabia, onde eu estava naquele momento?Segurando o diário, comecei a andar sem rumo.
Andei...andei...A brisa leve apagava os meus rastros na areia.Eu estava literalmente perdida e sem saber aonde ir ou o que fazer, minha vontade era de sentar e chorar.Andei durante um dia procurando algum lugar, ou alguém...E à noite eu decidi que iria continuar para não morrer de frio.Quando o dia voltou a raiar deitei para dormir mas eu sabia que o calor iria acabar me impedindo.E assim foi...Quando o Sol estava novamente no meio do céu, senti uma sombra seguido por um impacto no chão.A mão estendida em minha direção para me ajudar a levantar.
-Keiji...?-Estendi minha mão para quem estava me ajudando.
-Eu não sou Keiji.Eu sequer sei quem essa pessoa é.Mas vou te levar para um lugar onde você não veja miragens, esse deserto não te fará bem.-Dito isso a pessoa que usava uma estranha máscara cobrindo-lhe o rosto me levou embora do deserto.Depois de dormir, lá estava eu andando junto de um completo estranho.
-O que está acontecendo?-Perguntei ao estranho.
-Você já estava delirando em busca de um tal de Keiji...Como você foi parar no meio do deserto?E que livro é esse que não tem nada escrito?-Ele me mostrou o diário, que eu peguei sem ele conseguir esquivar e impedir a minha ação e ele me intitulou como 'Maluca'.
-Pra começar, não sou maluca.Em segundo lugar, Keiji é meu amigo, e eu não sei como mas um momento atrás eu estava na rua com ele, e depois acordei naquele lugar...
-Olha...Falta pouco para chegarmos à cidade.Pode me chamar de B.W.-Olhei para o chão e vi algo que se aproximava.A areia foi se tornando ladrilhos de pedra.
Na caminhada para a cidade, B.W.,como ele pediu pra ser chamado, disse que eu deveria ir até o castelo do rei para me apresentar.Uma vez que mesmo sendo um rei 'tolerávelmente justo', não veria com bons olhos aqueles que não se apresentam ao chegar em seu reino.
As pilastras erguiam um relógio em direção aos céus, já gastas pelo tempo com algumas rachaduras.Subimos a sequência de escadas que levavam até o castelo do rei.B.W. bateu à porta do castelo, com a peça de ouro que estava encrustrada na gigantesca porta de madeira escura e pesada.Demorou alguns segundos para que alguém viesse nos atender; e nesse meio tempo B.W. disse para não me agitar pois seria seria para meu bem que agisse naturalmente, de preferência permanecesse quieta.Quando a porta se abriu revelando quem havia ali dentro era ninguém mais ninguém menos que Keiji.
-Bom dia senhor Black.-Disse ele, enquanto acenava para que entrassemos.-Trouxe visitas para o rei?
Keiji não parecia nem sequer se importar com o fato de eu estar ali,depois de ter aparecido em lugar estranho, e sozinha com um estranho me guiando para um castelo em ruínas.Fiz questão de mostrar meu descaso também.Assim que ele pediu que entrassemos, entrei e somente segui B.W.Os corredores extensos se dividiam em escadas ou em portas, e nas paredes grandes quadros já gastos, pintados a óleo com figuras do reino.Keiji fez uma breve reverência para nós, dizendo que o rei sabia de nossa visita e nos esperava para um banquete de jantar de boas vindas aos passageiros, e assim dizendo nos deixou um em cada quarto, deixando claro que eu deveria ficar no castelo como convidada do rei, até que fosse o meu momento de partir.Antes de ter alguma sentença B.W disse que estava de saída e só tinha me ajudado a chegar ao castelo.O meu quarto ficava no fim do corredor, enquanto o de Keiji ficava mais na frente, e Keiji depois de me deixar em frente ao meu quarto, levou B.W. consigo para ver o rei para cumprimentá-lo.
Entrei no quarto, sem nenhum propósito exato a não ser curiosidade ou a esperança de encontrar um quarto para me jogar na cama e descansar finalmente de tudo aquilo que estava acontecendo...
Afinal, o que estava acontecendo...?
E então o templo que estava em ruínas para mim, se tornou finalmente um verdadeiro castelo!A cama de casal com hastes altas e um protetor para insetos estava preso, como uma cama real, a tapeçaria e a mobília eram realmente artigos raros e caprichosos.O banheiro da suíte tinha uma banheira tão grande, que a primeira coisa que fiz foi tirar minha roupa para entrar nela.
Mas enquanto eu estava me despindo, a porta se abriu e meu corpo congelou.Será que era Keiji?
Para meu alívio, entrou dali uma moça, os cabelos castanhos presos em um coque alto na nuca com duas madeixas mais soltas na região da franja, e um avental branco por cima do vestido bege.Parecia tal qual uma boneca.
-Minhas desculpas senhorita, pelo atraso, eu fui encaminhada para ajudar a senhorita com o banho e as roupas.-E fez uma curta reverência.E depois veio até mim e me levou pelos ombros até o banheiro da suite, onde a banheira branca com detalhes dourados davam ainda mais a sensação de estar em um verdadeiro castelo.
Ah, como aquilo estava me encantando...Principalmente a cama e a banheira.
Tão encantada eu estava que nem percebi quando ela tinha me despido e ajuntado a minha roupa, me ajudando a entrar na banheira e em seguida ajoelhando ao lado e jogando água em mim com uma caneca de porcelana fina com detalhes também dourados.Eu olhava vidrada para a água.Água quentinha...De onde vinha água quente se não parecia haver fios elétricos naquele banheiro?
-Que cabelos bonitos a senhorita tem.-Disse a moça.
-Por que você deixa o seu preso?-Inverti o assunto.
-Para não atrapalhar no trabalho, senhorita.-Ela me respondeu num tom carinhoso.
-Me chame Kura.
-Sim, senhorita Kura.
-Estou com medo do rei...
Ela sorriu.Me empurrando pelos ombros e eu me inclinei para frente, lavou minhas costas e meu cabelo.
-O rei gosta de visitas.Acredite.
-Como é o seu nome?-Murmurei.
-Galadriel, senhorita.Vamos, vamos sair desta banheira e colocar alguma roupa para o jantar de hoje, o rei irá fazer um banquete à você!
Eu estava tão encantada com aquilo tudo, mas algo parecia ofuscar a minha felicidade de estar em um castelo como aquele.Como num conto de fadas.Galadriel me ajudou a levantar e me envolveu com a toalha e me levou para o quarto novamente, me secou e pediu que eu levantasse os braços.Obedeci e ela me vestiu com uma camisola pérola.Pediu que eu me sentasse em frente a penteadeira e me vi no espelho.Em uma mesinha redonda ao lado da janela, o diário.
Eu olhava para o espelho, a minha imagem ainda parecia contradizer o meu vislumbramento perante o castelo e o que ele me oferecia.
Galadriel secou um pouco meu cabelo e penteou.Trançou e prendeu em um coque também.Mas deixou que algumas madeixas da frente continuassem soltas.
Duas batidas leves na porta e mais uma mulher entrou.Uma idosa, os cabelos grisalhos e os olhos lindamente verde-água.E andando de um jeito meio arrastado, com a bandeja dourada na mão, um conjunto de chá completo.
-Está na hora do chá, querida.-Ela sorriu.
-Leila, veja como a senhorita estará linda hoje a noite para o jantar que o senhor Khrono programou!-Galadriel exclamava.
-Sim!É uma linda moçinha!Gosta do chá como, senhorita?
-Com muito açucar.
-Que doce!-Prepararam o meu chá.
Bebi o chá que era de morango...Morango e açúcar...Sorri.
Depois de mais algumas horas conversando, Leila pegou o vestido que eu deveria usar.Um vestido vermelho sangue, com algumas pregas abertas de cor pérola, um espartilho para moldar a silhueta e as mangas compridas e vermelhas, no decote baixo e quadrado.A costura em dourado assim como a barra.As várias saias de baixo eram todas babadas e saiam para fora do vermelho sangue, dando um tom de delicadeza.Soltaram as madeixas que agora davam voltinhas em torno do meu rosto, Leila pegou um batom vermelho sangue e pintou meus lábios e me deixou ainda mais como uma boneca.Os sapatos estavam separados, eles eram vermelho sangue também.
Elas abriram a porta, dizendo que já estava na hora, que eu estava quase atrasada para o jantar, e assim me deixaram em frente a uma escada que vinha tanto de um lado como de outro.E me disseram que ao fim da escadaria, o rei já deveria estar à minha espera.Comecei a descer com pressa, mas com medo do salto do sapato, meu medo e minha ansiedade estavam acima do normal e só quando eu vi que Keiji não estava lá, mas sim somente quem deveria ser o rei Khrono, meu passo falhou e tropecei me segurando no corrimão.
Keiji na verdade estava de costas, se virou para mim e veio em passos acelerados me ajudar e quando pegou meu sapato para me ajudar a vestir, Khrono se apressou atrás, retirando o sapato das mãos dele e se ajoelhando para colocá-lo de volta no meu pé.Assim que se levantou eu pude ver como era.
Tinha traços masculinos, mas delicados, os olhos grandes e cor de mel, os cabelos compridos presos em um rabo de cavalo.Uma roupa tão formal quanto a minha ou de Keiji.Nada que o determinasse rei pela vestimenta, mas pela aura que emanava.Um rei.
-Permita-me ajudar, senhorita Aotsuki.-Ele serviu seu braço para que eu o segurasse.Eu automaticamente o aceitei.Tentando andar com cuidado, olhei para trás desapontada por Keiji não se preocupar tanto comigo como parecia ter se preocupado quando me deu o diário.-O senhor Akira me falou muito da senhorita, senhorita Aotsuki.
Eu não sabia onde eu estava, não sabia o que estava acontecendo, não sabia quem era Akira.Resolvi optar pela opção de ficar quieta e deixar que ele falasse, e só responderia suas perguntas diretas e com respostas simples.
-Diga, está gostando do meu castelo?
-Sim, senhor.
-Me agrada saber que se sente bem para ficar aqui.
Khrono me guiou até uma sacada de onde se podia ver todo o reino.Está muito bonita, senhorita.
Corei.Me fizeram parecer uma boneca, mas eu também havia gostado.Todos os babados, o vermelho e o branco...Eram bonitos mesmo que eu não conseguisse me movimentar nem respirar direito com o espartilho.
-Obrigada, senhor.
-Mais um tom vermelho para complementar suas vestes.-Ele sorriu e olhou fixamente para o meu rosto.Ele havia notado o meu rubor...Droga, odeio quando essas sensações são tão transparentes e as pessoas parecem me comprimir quando notam que elas existem em mim.
-Nunca vi em nenhum lugar deste e de outros reinos senhorita como a senhorita, senhorita Aotsuki...
-Eu não vi nenhuma senhorita desde que cheguei.
Ele riu, aquele sorriso não de deboche como Keiji numa situação daquela riria, mas um riso contido, delicado e agradável.Formal.
-Eu posso não ser muito útil para a senhorita, senhorita Aotsuki...
-Me chame de Kura.-Interrompi-o...Aquela formalidade não estava me agradando, tampouco quando aquele rosto me era tão familiar.
-Então darei-te o mesmo direito, me chame de...
-Yori...?-Escapou da minha boca.Sabe quando você olha para alguém e vê outra pessoa que gostaria de ver no lugar?Acho que era essa a sensação que eu estava tendo desde que cheguei naquele castelo.Mas a minha intromissão não pareceu agradar ao rei, ele se tornou mais sério.Dizendo que eu poderia chamá-lo do que eu quisesse, mas que preferia ser chamado pelo nome:Khrono.E depois disso, voltou para dentro do castelo, onde eu o perdi de vista, ou porque ele entrou em alguma sala ao fundo, ou porque se perdeu em meio à escuridão por causa da profundidade do castelo.
Nota de rodapé:Eu adorei esse capítulo.A-DO-REI.Além da Kura ter se rebelado contra o Keiji, [que na verdade é Akira]Eu acho que ele ficou mais bem escrito e descrito.Mesmo que o castelo ainda não seja bem visualizado no reino do Tempo, eu acho que outras descrições ficaram bem melhores.E eu também tirei a franja da Galadriel para não causar dúvidas de quem ela é.Porque na verdade ela representa a Mel, só porque ela ficou uma semana na minha casa, e o fato me marcou muito.E mesmo que tenhamos perdido o contato graças a vida que se segue, eu começo aqui a provar que as pessoas que passam não são passageiras.E a Mel tem uma importancia bem grande na minha vida, acho que não necessariamente de forma direta, mas indiretamente ela foi uma das mais importantes e por isso mesmo ela apareceu aqui para cuidar de mim...[Nostalgia 2004!]
Todos sabem que o nome do capitulo veio de New World do L'Arc~en~Ciel.Se alguém se interessar para ver o clipe da música eu recomendo, afinal tem uma pequena simbologia além do próprio 'novo mundo' em que a Kura se encontra.Eu acho uma coisa legal pra indicar como dica para entender o meu pensamento quando mesmo depois de tudo eu insisto no mesmo título.
L'Arc~en~Ciel pra mim não é simplesmente uma banda com vocalista com 'sex appeal' e músicas que eu gosto...!
por CLARISSA FAZANO * 12:00 AM
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[Domingo, Abril 20, 2008]
Capitulo 7 - Apenas irmãos, apenas amigos.
-Shizuka...Shizuka...Shizuka...-murmurava até chegarmos em casa.Yori pedalava de forma desajeitada e indo o mais rápido possível.
-Eu disse!Eu disse a ele para não contar!Eu sabia que você iria sofrer, mas ele preferiu que você sofresse!A culpa é dele, a culpa é toda dele!-Dizia Yori entre as lágrimas e soluços.Assim que chegamos em casa Yori me levantou e abriu a porta de casa e eu entrei.Fui para o fundo onde ficava o meu cachorro, sorri ao ver que ele não percebeu a minha presença e apenas notou quando virei as costas para voltar para dentro de casa.Quando virei Yori me esperava de braços abertos, me abraçou.
-Um dia um amigo meu também sofreu um acidente...Tão fatídico quanto esse...
Abracei Yori.Ele já estava mais calmo e acariciava a minha cabeça para que eu me sentisse melhor.Mas eu não sabia ainda o que sentir, eu não consigo acreditar que Shizuka teria morrido daquela maneira.A impotência era tão grande, a sensação de vazio, será que eu nunca mais iria vê-la?Nunca mais iria fazê-la rir das minhas atitudes?Acho que eu não consigo entender exatamente o que significa a morte.É tão estranho pensar que ela existe, mesmo sabendo que é a única certeza da vida é a morte, mas ela nunca aparece em uma hora que você espera ela chegar.
Não se marca encontro com a morte...
-Quero tomar banho e ir para o quarto, Yori...-cocei os olhos e subi.Yori me seguia com o olhar.
Liguei o chuveiro e entrei sob ele.A água que batia na minha nuca lavando os meus cabelos e costas.Olhava fixamente para meus pés e a água que tombava.Era como se eu estivesse em uma chuva quente, mas que me desprotegia, me humilhava diante das gotas que percorriam o meu corpo, como se pudessem daquele modo descobrir aonde estava o meu machucado e fazê-lo arder até anestesiar de dor.
Saí do chuveiro e me sequei.Olhei para o espelho embaçado, a minha imagem distorcida, não me contive e passei a mão para melhorar a imagem.Eu, o rosto corado do calor, os cabelos escorridos e grudados na pele e a toalha.Saí do banheiro e fui para o meu quarto para colocar uma roupa.Abri o armário e começei a olhar o que seria melhor eu vestir.Yori bateu na porta.
-Posso entrar?
-...Pode.
Ele entrou.O rosto corado, não era sempre que eu dizia que poderia entrar no meu quarto, quando viu que eu estava com toalha perguntou se eu não queria me arrumar, se não queria que ele entrasse depois.
-Ainda não sei o que quero vestir.-sentei na cama e ele sentou do meu lado.
Ele foi até meu guarda roupa e pegou a primeira roupa que viu, uma camiseta de alça branca e uma de manga comprida vermelha e uma saia xadrez, em vermelho com preto.Abriu o lugar onde guardo os sapados e pegou a bota preta.Passou as peças de roupa para mim dizendo para que eu vestisse aquilo, o telefone tocou e Yori desceu para atender.Aproveitei para colocar a roupa, que por via de duvidas coloquei a de alça por baixo da de manga comprida e a saia.
Yori abriu a porta do quarto correndo:'Já volto!', e desceu as escadas correndo pela frentre e saiu.Coloquei a bota e tentei correr atrás dele.
Mas como era de se esperar, em um terço do caminho eu já não aguentava mais correr, enquanto que Yori corria furtivamente.Chamei, pedi que esperasse, mas nada surtia efeito.Andava com dificuldade pelo cansaço e já sem saber onde Yori estava indo, procurei um banco e sentei.Do meu lado, uma pessoa se sentou quando me virei para ver de quem se tratava, reconheci obviamente aquele rosto familiar...Keiji.
-Eu também não aguentei ficar lá.Os médicos ficaram tentando revivê-la, talvez tenham até conseguido mas eu preferi vim ver como você está.-ele se aproximou pegando na minha mão.-Kura...Eu tenho um presente pra você, não sei se você se lembra mas...-e dizendo isso me entregou um pacote embrulhado cuidadosamente.O embrulho retangular e pesado me fez corar ao pensar o que havia ali.-Espero que você goste.Abra, por favor.
-Uhm...Obrigada...-Voltei o olhar para o pacote e desfiz a embalagem.Revelando a mim um caderno.Um diário, mais precisamente.A capa era vermelha com um par de asas brancas, um pouco acima do centro e entre elas um coração contornado com uma linha dourada e a fechadura também dourada.Procurei onde estava a chave para abrir ver como eram as folhas, mas Keiji pegou-as no bolso.
-Elas estão comigo, você gostou do presente então?-Ele se aproximou mais e me abraçou pelo ombro.
-Gostei sim...
-O que aconteceu?Tudo o que você precisa é escrever o que está dentro de você, externize o que você quer escrever para mim agora.
-Você sabe que eu escreveria sobre...-Hesitei, estava ficando difícil falar.Havia um nó na minha garganta que parecia querer sair, mas não saia e aquela dor parecia maior do que realmente deveria ser.
-Sobre...?
-...Shi.
Ele parou um momento.Olhou dentro dos meus olhos e perguntou:
-Você faria tudo para viver com ela novamente?Até mesmo iria para um lugar onde sua família não pudesse ir?
Que pergunta era aquela?Como eu poderia medir o meu relacionamento com Shizuka com o da minha familia se era praticamente o mesmo?Ele percebeu a minha hesitação e segurou o meu rosto e disse ao pé da minha orelha:'Tu és fraca.Mas teu destino é selado.Dou-te como presente este diário para confessar teus pensamentos fragilizados e tua vida, e te deixo também dois feixes de fitas para prender em teus cabelos para que guardes em tu, os laços com teus mundos.'.
Vermelha.Uma adoravél cereja vermelha...Essa era a possível cor do meu rosto após ouvir aquela frase dita por Keiji naquela situação, mesmo que muitas coisas que ele tenha dito, pra mim não fizeram sentido...E que após ele se levantar, me deu a chave do diário e se preparou para sair, parecia ignorar o fato de eu estar chorando...
Abri o diário.Segurei o pequeno pedaço de papel que havia ali, os dizeres 'Está tudo bem...Com carinho Shizuka Mizushiro', o resto do bilhete de despedida de Shizuka, as duas fitas vermelhas para eu prender o cabelo como ele disse, me fizeram repassar a minha vida com Shizuka.Até onde eu iria por ela?Virei para ver aonde Keiji ia.Mas ele estava parado olhando o horizonte.
-Eu...Eu faria qualquer coisa para ela voltar!-Disse a ele lhe chamando a atenção e fazendo com que ele se virasse para mim.Tentei limpar o rosto das lágrimas, mas elas eram persistentes.
-Você seria capaz de ficar no lugar dela?-Ele perguntou, se aproximando e limpando uma das lágrimas com as mãos.
-Sim...!
-Kura...Você fica linda quando está chorando...-Ele me abraçou.Não consegui dizer nada a ele, o abraço não era tão forte quando nos vimos no hospital, nem tão acolhedor quanto o dia que fui na casa dele...E em seguida pegou meu rosto e se aproximou...Tanto que quase senti nossos lábios, como se não existisse mais nada entre eles...E um clarão intenso.
Yori chegava ao hospital correndo, entrava na sala de recepção e perguntava o que afinal tinha acontecido à Shizuka.Um dos médicos o informou alegremente que os batimentos haviam voltado e que o estado dela estava mais estável, mais ainda não havia acordado.Yori suspirou, quando se deu conta da ausência de Keiji.Procurou ele, mas não conseguia encontrá-lo.
Keiji era arrastado para a rua com direção ao seu apartamento, por uma garota de cabelos negros que chegavam até a cintura e olhos azuis.Usava uma mini-saia jeans e uma camiseta de gola olimpica preta e botas de cano alto também pretas.
-Kei!-Falava a garota alegremente-Vamos até a sua casa, não tem mais com o que se preocupar, ela está bem!
-Kura...O que você está fazendo?Porque parece tão...?Só porque descobriu que está tudo bem com a Shi-chan, é?-Ele sorriu e abraçou-a pelos ombros e ela sorriu respondendo que sim.Os dois seguiram em direção ao prédio.
-Kei, quando você me dará o meu presente?-Ela perguntou.
-Você está usando lentes de contato agora?-Ele mudou bruscamente de assunto.O que era normal fazer quando queria fazer uma surpresa em algum momento que você não sabe quando, mas que ela virá.
A menina se irritou por não ter sua pergunta respondida e ele ter mudado de assunto, hesitou por um momento e respondeu que sim com a cabeça.
-Kura...Agora que finalmente tudo pode voltar ao normal, você não vai mais ficar dizendo que ninguém se importa em abandonar você não é?
A garota permaneceu quieta.Keiji deu um passo a frente e a abraçou.O abraço acolhedor de Keiji...
-Quando se sentir sozinha ou triste, olhe no seu coração...Certamente eu estarei lá para cuidar de você...
-Kei...Até onde você iria por mim ou pela Shi?...
-Qualquer lugar.
-Vamos para o seu apartamento, então!
Ele riu com a idéia, chegando ao apartamento de Keiji, sentou e pediu que ela também se sentasse.
-Sinta-se em casa, agora até podemos aproveitar o resto da vida, já que Shizuka está bem.-Disse ele.
-Eu já estou me sentindo em casa.Sempre me sinto em casa com você.-Sentou-se no colo de Keiji e com um olhar fez Keiji corar.
A garota puxou Keiji pela nuca e os dois se beijaram.Um beijo longo e frenético que fez a cabeça de Keiji girar, começando a sentir tontura, até que uma sensação de êxtase, vázio e um clarão o envolveu.
Nota de rodapé:Tem uma parte escrita em terceira pessoa,mesmo que não pareça porque eu não sei escrever em terceira pessoa.Essa parte serve simplesmente para mostrar como os dois vão para o mundo de Jou-Jou,mas façam suas inferências sobre o que aconteceu para cada um ir para lá...[A Lola sabe!A Lola sabe!*empolgação*]Eu acho que essa parte é legal simplesmente por essa inferência,até porque eu tentei fazer como um texto que eu vi do Pedro que descrevia uma coisa que parecia uma coisa,mas era outra.As filosofias de dúvida sobre a morte eu adquiri ano passado,mas quando eu revisei da última vez eu não aprofundei esse assunto,mas eu acho ele interessante.Afinal,é morte!
Parece que sempre que eu ouço alguma música me vem Jou-Jou na cabeça.Se eu pudesse, eu faria um clipe sobre esse acontecimento e flashs com relação à 'morte da Shizuka' com Mikazuki da Ayaka.
por CLARISSA FAZANO * 11:36 AM
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Capítulo 6 - Tudo tem um fim.
Assim que amanheceu eu me vi obrigada a levantar, hoje eu não iria faltar à escola como tinha feito para ir até o apartamento de Keiji.Na verdade estava me sentindo um pouco mal por não ter ido à escola e passado o dia com Keiji.Levantei antes do despertador e o desprogramei, entrei no banheiro para tomar uma ducha antes de me arrumar para a escola.Liguei o chuveiro e entrei sob ele.Me sequei e coloquei o uniforme.Peguei minha maleta e vi o que havia nela, lembrando como Keiji reclamava do peso.Realmente eu não podia retirar nenhum caderno...Conformada eu desci as escadas para tomar café-da-manhã.Ninguém parecia ter acordado, mas assim que sai de casa dei de encontro com Yori que estava arrumando algo em sua bicicleta.
-Vem comigo hoje?-Disse ele sem levantar os olhos para me ver.
-Sim.
Em nosso percurso até a escola eu me senti na obrigação de quebrar o gelo.
-O que aconteceu ontem que ninguém estava em casa quando voltei?
-Acho que eu não sou a pessoa mais indicada, mas você vai saber o que aconteceu mais tarde...-Yori continuou a pedalar sem hesitar mesmo parecendo ser sério o assunto do qual eu fui 'liberada temporariamente'.-Bom dia, eu venho te buscar depois da escola.-e ele saiu rumo à faculdade.Estava agindo seco comigo.Pelo menos parecia...
Fui para a aula e mais um dia que iria se passar.Deixei a minha mala cair, da mesma forma que eu capotei na carteira...Chegando Kitsuni, Femmen, Aasgaard, Kimyou e Evelyn...Kimyou conversava com a Eve, Aasgaard com a Kitty, Fleance se intrometia entre a Kitty e Femmen.Deitei a cabeça sobre as mãos.Parecia que eu realmente iria acabar sozinha quando todos nós fossemos para a universidade.
-Nossa, eu to cheio de pêlo de gato...-Kimyou disse enquanto tentava limpar a calça dos pêlos do próprio gato.
Alguém surgiu.Uma das meninas da sala, amiga de Fleance chegou dizendo a seguinte frase:
-Eu odeio gatos, eles são muito interesseiros!Cães sim, eles são inteligentes e dóceis.
Olhei diretamente para Kitty.Ela amava gatos, e não escondia isso de ninguém.Isso iria acabar em mau negócio.Mas por minha surpresa, quem respondeu foi Joudan!
-Isso não tem nada a ver, gatos também podem se apegar ao dono e também podem fazer as mesmas coisas que um cão faz...!
-Eu também abomino gatos!-Fleance dizendo com aquela expressão de asco.Vendo que o rumo tomava a batalha dois contra um, me fiz presente.
-Eu gosto de gatos e de cães...Acho que os dois são ótimos.
-Ah que nojo, vai!Gatos são porcos e nunca estão nem aí pra nada!Só voltam pra você por causa de comida!-A menina insistia em arrumar briga...E ela sabia que isso iria atingir quem não devia.
-Vocês já tiveram algum gato?-Kitty então se fez presente.
-Eu tive, e matei todos eles!-Disse a menina, e eu e Kitsuni nos contorcemos.
-Eu não.-disse Fleance-Mas é cientificamente comprovado que gatos são interesseiros!Eles só voltam por comida.
Senti orelhinhas surgindo em todos.
As de gato da Kitsuni, que além de amar gatos era temperamental e manhosa, as de cão de Femmen que é super protetor e divertido, as de jaguar de Joudan que estava irritado e arisco com a discussão, as de leão de Fleance que mostravam como ele era egocentrico e queria mandar em todos ali...E as minhas de rato, em alerta e hiperativa por causa da polêmica.
Evelyn estava simplesmente sentada e não se pronunciou, sabendo em seu interior que rumo aquela história iria ter.
Pela resposta de Fleance, Kitty, que já estava irritada pelo assunto, se viu na situação de que sempre fora colocada o 'Comprovamento cientifico' de Fleance.
-Tá...e onde você pode afirmar, se você nunca teve nenhum gato?
-É comprovado!
-Escuta Fleance.-Joudan voltou a falar.-Minha avó tem um gato adestrado, e ele não vive sem ela!Agora me diz que um gato também não se apega ao dono!
-Mas não mesmo!Eu duvido disso!Primeiro que é impossível adestrar um gato, depois porque ele não se apega, é só por cama e comida!-ele começou a rir.Foi a terceira coisa errada que ele fez, citando todas elas foi: falar mal de gatos de forma ofensiva e impositora, não ter a mente aberta para aceitar a opinião de todos e ver que ele também tem imperfeições na base de maturidade, e a pior e mais abominável de todas...Rir e duvidar mais da experiência vivida de um amigo próximo, do que de uma 'tese' científica na qual ele não tem sequer fundamentos para acreditar.-Gatos são burros e sujos.
-Gatos são tão bons quanto os cães.Eles são até mais humanos, eles são independentes...-tentei continuar a argumentar.
-Kura...-disse a amiga de Fleance.-Você é tão inteligente, como você pode dizer uma besteira dessas?
Eu levei pelo lado pessoal.Como se ele estivesse na realidade falando mal da Kitsuni, de Joudan, e de mim.
-Acontece Fleance que você, está falando mal de gatos, enquanto ninguém aqui disse nada sobre cães.Só estamos dizendo que gatos são tão bons quanto cães.-disse Femmen tentando se fazer presente, mas a calma e controle de Femmen não seriam capazes de deter a voz imperativa de Fleance.
-É o mesmo que dizer que ratos também se apegam!
A vontade de chorar e de sair da sala como se ele tivesse tocado na maior das feridas veio a tona.
-Ratos só não se apegam porque estão sempre presos em gaiolas!Se eles passassem tempo com o dono eu aposto que também se apegariam!Ja que nenhum animal se apega se não for os que você acredita que se apegam, então por que domadores de serpente não são mortos pelas serpentes?Por que já vi pássaros com gaiola aberta e que não fogem?!-defendi a mim e a todos que possivelmente viessem a se machucar com as profetizações realizadas por Fleance, que ouvindo o que eu disse começou novamente a rir.-Você fala de gatos, mas o meu cachorro também é muito interesseiro.
Femmen olhou sério para Fleance.
-Cobras não tem mais veneno!Obvio que não matam!Eles tiram o veneno.
-Ah sim...Então cobras só podem matar por veneno né?-Disse rispida e ironica.Aquela situação despertou a minha discórdia interior...
-Mas você não entende Kura, é comprovado que se, por exemplo, o dono está para morrer quem fica do lado dele é o cão e não o gato, o gato não está nem aí!
-Chega!-mais uma vez, epara a surpresa de todos, Femmen gritou.
O professor já entrava na sala quando Femmen conseguiu fazer Fleance voltar ao seu lugar.Kitsuni aproveitou que ele estava quieto por um momento e tentou novamente dizer o que Femmen disse.
-Você está tentando impor seu ponto de vista.Eu só estou defendendo o que eu acho certo!-disse Fleance erguendo a voz novamente para Kitty, que diante daquilo se viu no dever de tentar gritar mais forte para que ele ouvisse.
-Nós estamos tentando irmpor?Olha o que você ta falando!Você nem sequer nunca teve um gato pra falar mal, você diz que não tem tempo para o seu cachorro sendo que eu durmo com o meu gato, e prefere acreditar em uma porra de um artigo dizendo que gatos são inúteis ao invés de acreditar na gente que diz que não tem nada a ver?Você vive nesse mundo de teorias de livros, ao invés de viver!Você não tem vivência!
-Pois saiba você que eu tenho vivencia sim!Você que não sabe de nada da minha vida!-Foi a vez de Fleance se ofender.
A vontade que eu tive foi de dizer que não sabiamos de nenhuma vivencia dele, porque ele preferia sempre comentar as frases dos livros que lia quando conversavamos, do que contar algo que ele mesmo viveu...Kitty foi mais rápida e contra-argumentou, já perdendo a voz da tentativa de gritar.As pessoas, inclusive o professor observavam incrédulos o que acontecia.Alguns vaiavam, outros aplaudiam os argumentos.Fleance vendo ela tocar na ferida dele, ergueu ainda mais a voz e ela continuou tentando falar mais alto.
-Pára!Chega eu já falei!-exclamou Femmen fazendo os dois pararem.O professor voltou com a aula dando como encerrado o pastelão, Fleance sentou-se, ereto na carteira e olhava para frente como se nada acontecesse.Kitsuni virou o rosto, a asma atacando juntamente com os olhos mareados.
-Como eu tenho raiva disso...Como eu odeio quando ele faz isso...!-pegou o agasalho e deitou o rosto na mesa.Somente na metade da aula ela conseguiu se acalmar.
Eu sempre achei essa atitude de Fleance estranha.Essa competição com Kitsuni.Antes era com a Eve.Lembro que quando estavamos no ginásio era uma guerra sem tréguas.Quando entrou no colegial e conhecemos a Kitty, ele se isolou e então agora vivia querendo chamar a atenção dela.Mas aquela não me parecia ser uma boa maneira de se chamar a atenção dela, muito menos porque ela odiava aquela atitude nele, mas não odiava ele em si...Talvez se ele fosse um pouco menos teimoso...
Eu não sou cega.E sei o que Fleance quer passar por suas atitudes...
No intervalo, Fleance saiu da sala.Foi quando a menina que sentava ao seu lado virou para a Kitty:
-Ele é bem inteligente.
-É inteligente porque ele decora livros...Enquanto você estava vivendo e se divertindo, ele estava infeliz e atolado em livros.
A menina e todos ao redor ficaram sem palavras.Mesmo as meninas que viviam correndo atrás de Femmen não puderam contra-atacar o argumento de uma das pessoas que mais sabia sobre Fleance.A ponto de o fazer sentir seu orgulho ferido e sem argumentações.Fiquei quieta, talvez fosse melhor apenas defender a minha tese de que Fleance não se deixa viver nem conhecer, e que qualquer criatura, fosse humana ou irracional.Todos se apegam a algo.
Ao fim das aulas, Fleance arrumou as coisas antes que todos, saiu e ficamos apenas nós cinco.Kitty saiu indignada como ele poderia ser tão orgulhoso a ponto de não dar o braço a torcer nunca.Femmen tentava acalmar e consolar a namorada.Evelyn saiu com Makoto que morava no mesmo condominio que ela.Nos despedimos na saída e cada dupla seguiu seu caminho.
-A Shizuka não vai com você?-perguntou Joudan enquanto íamos para o fim do caminho que seguiamos juntos.
-Não.Hoje ela sai mais cedo.E Yori vai vir me buscar...Apesar que ele parece bravo comigo.Ah...Ele.-acenei para que Yori me visse.
Yori chegou mais perto.Esperou que eu subisse na bicicleta.Não disse uma palavra, acenei um tchau para Kimyou que ele seguiu para a casa dele, enquanto Yori pedalava a bicicleta.
-Hoje você tem algo a tarde?
-Não, por que Yori?
-Você precisa saber de uma coisa que aconteceu.-ele aumentou a velocidade, parando somente quando chegamos perto do hospital.
Estacionou a bicicleta, desceu, abaixou o breque.Deu a mão para me tirar de lá, coisa que eu achava desnecessária, mas Yori tinha essas manias.
-Escuta, não é bom, mas também não é o pior que pode acontecer.
Quando Yori me disse aquilo, eu não poderia imaginar o que estava acontecendo.Vendo meu rosto se tornar pálido e minhas mãos suarem, ele me levou pelos ombros até a porta e tocou o interfone.Foi ele quem disse para a recepcionista do hospital que eu havia chego, quem explicou para a mãe de Shizuka que eu não sabia o que acontecia, mas que seria melhor que eu mesma visse o que aconteceu com meus olhos para que eu não ficasse pensando nada que não tivesse acontecido.Ela sorriu tristemente e concordou.Na porta do quarto a placa o nome 'Mizushiro'...
'Shizuka'.
A mãe dela bateu levemente na porta e entrou, seguida por mim e por Yori, que ia atrás de mim.No quarto, Shizuka estava deitada, um aparelho de eletrocardiograma e um suporte para soro que ligavam tubos no braço e no colo dela.A frequência cardíaca estava normal apesar de desacelerada, ela parecia mais estar dormindo do que qualquer coisa.
No canto do quarto, de cabeça baixa, os cabelos escondendo o rosto perdido caido na mão que apoiava a testa...Keiji.
-O...o que a...ac...?-tentei achar palavras, mas nada saia.
-Chegou...?Deixem que eu explico melhor para ela...-Pediu Keiji levantando o rosto, que os dois saíssem.A mãe de Shizuka conteve a tristeza ao ver a cena com a filha inerte na cama, Yori não moveu-se, observava a minha reação tentou dizer alguma coisa para Keiji, mas a mãe dela o levou pelos ombros.-Kura...
Keiji estava exausto.A fala para mim ainda se recusava a sair, mas ele não precisou que eu falasse mais nada.
-Ontem ao anoitecer, Shizuka andava de volta para casa, quando aconteceu um acidente...-ele respirou fundo e continuou.-O rapaz que cometeu o acidente trouxe ela para o hospital, ele está muito arrependido, mas disse que ela entrou na frente do carro e ele não conseguiu frear a tempo...Os pais dela prefeririam que você não soubesse, Yori também, mas eu achei que você deveria saber, que iria saber disso mais cedo ou mais tarde e se eu soubesse disso e não contasse seria uma traição à você...
-Shizu...
-Eu entendo o que você está sentindo.
-Não, não entende...Só falta você também me deixar sozinha agora...
Ele se levantou e ficou frente a frente para mim.As sobrancelhas se juntando em uma expressão rígida, que raramente aparecia no rosto sarcástico e debochado dele.
-Da próxima vez que você dizer isso eu realmente vou embora e vou te deixar.-Keiji levou o indicador aos meus olhos e segurou uma lágrima.-Vê?Não existe maior prova de que você é uma amiga maravilhosa e que precisa de proteção...Ninguém vai te deixar sozinha.Tenho certeza que essa sua amizade vai conseguir acordá-la, Kura...-as sobrancelhas voltaram ao lugar original.Talvez ele estivesse tão triste quanto eu...Talvez se importasse com Shizuka até mais do que eu...Em qualquer sentido.
-Ela não vai mais acordar Toshida...
-Vai...Ela só está em coma.Tudo bem que é incerto, mas você não deve pensar assim.
Olhei para Shizuka.Peguei uma cadeira e me sentei mais próxima, ela parecia realmente estar mais morta do que realmente o aparelho ao lado dizia, os batimentos mostrados no aparelho eram a minha única esperança de que ela estava bem.Os braços relaxados e estendidos para poder injetar o soro, algumas faixas na cabeça e ombros para curar o que provavelmente seriam hematomas causados pelo acidente.Ao lado da cama, um pacote.Peguei, mas Keiji o tirou de mim dizendo que tinha uma coisa dele, além disso só tinha a roupa dela.Pedi a roupa dela e ele me entregou: um vestido amarelo com uma faixa azul escuro em um laço do lado...
-A mãe dela vai levar isso pra lavar em casa hoje, é que ontem os pais passaram a noite aqui e nem voltaram para casa.Seus pais também vieram, por isso não estavam em casa quando nós chegamos...
-Keiji...-ele parou de falar e perguntou o que foi.-Essa é a roupa que ela usava.
-Sim...É.
-Não...Eu estou afirmando, não perguntando.Essa é a mesma roupa que ela usava no meu sonho...
Yori bateu na porta e entrou.Perguntou se eu não queria ir embora, eu respondi que ainda queria ficar mais um tempo.Ele entrou no quarto e sentou.Keiji olhou para ele, pegou a roupa da minha mão, olhei para Shizuka...Ela era bonita.Não posso nem dizer que ficava mais bonita dormindo, porque ela não era uma pessoa agitada.Mas era bonita.O rosto tímido normalmente sério e fechado estava relaxado, como se ela estivesse livre de suas próprias limitações...
Foi então que ouvi o som estridente, uniforme e constante do aparelho que mostrava uma linha reta.
-Shizuka...
Acho que minha cabeça não estava mais funcionando...
-Shizuka!-Gritei, levantando e derrubando a cadeira no chão.Keiji e Yori correram para ver o que aconteceu.-Shizukaa!-Chamava por ela chacoalhando-a pelos ombros.O médico de plantão e as enfermeiras apareceram correndo para ver o que tinha acontecido, a mãe de Shizuka gritava perguntando o que tinha acontecido, e todos ao verem o resultado que o eletrocardiograma mostrava perderam as esperanças.Keiji virou o rosto para não mostrar que estava começando a chorar e Yori tentava me segurar enquanto eu tentava me desfazer das tentativas dele, conseguiu me carregar enquanto eu me debatia e me tirou do quarto, saiu apressado para voltar para a bicicleta onde ele me colocou sentada e partiu para casa.
Nota de rodapé:A briga de cães e gatos...Eu prefiro não comentar mais sobre ela do que ja foi comentado, até porque ela aconteceu já faz algum tempo, mas eu acredito que ela seja importante porque foi a primeira briga que eu tive com o Pedro,e a saudade que eu senti dele se sobrepôs à briga.Por isso ela é importante...Esse capitulo tem outra coisa importante que é o desespero da Kura pela Shizuka.Parte diss foi retirado de um pesadelo de onde o nome 'Shizuka' surgiu,e assim que acordei desse pesadelo a primeira reação que tive foi de querer ligar para ela saber onde ela estava, mas como a parte dos sonhos já foi escrita, isso fica como parte da personalidade desajeitada dessa garota.
Estou ouvindo Forever Love Accoustic Mix X JAPAN, acho que essa música [e seus mixes] se encaixa bem, quase tão bem quanto Endless Rain da mesma banda, nesse tipo de contexto.Será que isso é influência do hide?
por CLARISSA FAZANO * 1:59 AM
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[Sábado, Abril 19, 2008]
Capítulo 5 - Malícia é de sobrenome Toshida!
Ele retribuiu o abraço de uma forma bem mais gentil do que a minha por algum tempo.Passava a mão sobre a minha |